Saddam aceita resolução para evitar guerra

Às vésperas da chegada a Bagdá do primeirogrupo de peritos da ONU, que começarão a preparar a nova rodadade inspeções - para constatar se o Iraque continua a desenvolverarmas de destruição em massa (químicas, biológicas ou nucleares)-, o presidente Saddam Hussein foi à tevê iraquiana reafirmarque as acusações dos EUA seriam apenas um pretexto paradeflagrar a guerra e derrubá-lo. "Os inspetores poderão constatar que o Iraque não dispõe dearmas de destruição em massa", disse Saddam, em carta abertadestinada ao Parlamento iraquiano. Na semana passada, os deputados haviam recomendado aopresidente que rejeitasse a Resolução 1441 do Conselho deSegurança da ONU, que determinou a volta dos inspetores aoIraque, depois de quatro anos de crise, sob pena de açãomilitar. Saddam explicou hoje que resolveu acatar a resolução"porque o inimigo, a aliança entre os sionistas e os EUA, haviadecidido unilateralmente lançar a guerra contra o povoiraquiano. Enquanto aguarda a chegada dos inspetores de armas da ONU devolta ao país, na segunda-feira, em uma "visita" decisiva parao desfecho da crise entre o Iraque e os Estados Unidos, SaddamHussein já faz planos para preservar ao menos sua família ealguns auxiliares de alto nível de uma guerra que muitosiraquianos consideram praticamente inevitável. Uma reportagem publicada hoje pelo diário londrino The Times,citando fontes diplomáticas na Líbia, afirma que o líder MuammarKadafi teria aceitado receber no país a família do presidenteiraquiano e uma dezena de altos funcionários do regime. Mas a hospitalidade de Kadafi tem seu preço, conforme revela oTimes: Saddam teria concordado em depositar em um banco líbio asoma de US$ 3,5 bilhões, valor que teria sido acertado no iníciode setembro, durante a visita a Trípoli do general Ali Hassan alMajid, ex-ministro da Defesa e primo do ditador iraquiano. Olíder líbio, que já hospedou ditadores africanos destronados eaté o terrorista palestino Abu Nidal, só teria recusado asilopara o próprio Saddam e seu filho mais velho, Udday - este umconhecido criador de problemas, envolvido com recorrência embrigas e tiroteios em Bagdá, ao ponto de ter sido "destronado"da condição de herdeiro político do pai. De acordo com o Times, os arranjos para enviar ao exílio afamília do ditador iraquiano teriam sido recomendados porcírculos de alto escalão do Partido Baath, que governa o país, epelos homens do clã Tikriti, cujo cabeça é o próprio Saddam.Depois de meses de impasse, eles estariam chegando à conclusãode que é praticamente inevitável uma guerra, seguida pelainvasão do país por tropas americanas com a missão de depor oregime iraquiano. Segundo as mesmas fontes diplomáticas ouvidaspelo jornal, diante da recusa de Kadafi a recebê-los, Saddam eUdday teriam decidido "ficar e lutar até a morte pela honra doclã e do país".

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