Saddam adverte aos EUA que iraquianos estão dispostos ao "martírio"

O presidente do Iraque, Saddam Hussein, aproveitou sua mensagem anual de Natal para contestar novamente as acusações americanas e britânicas sobre a existência de armas de extermínio no país e mostrar sua intenção de continuar cooperando com a ONU. Mas fez uma advertência aos EUA: se houver ataque, os iraquianos estão dispostos ao "martírio". "Tanto quanto o Iraque ama a vida, seu povo está preparado para o martírio na defesa de sua terra e espaço aéreo, suas santidades e futuro", dizia o comunicado lido na TV estatal. Cerca de 5% dos 22 milhões de habitantes do país são cristãos, distribuídos em várias denominações (católicos, maronitas, ortodoxos, etc). O país é predominantemente muçulmano, mas oficialmente, secular. Na mensagem, Saddam disse que o resultado do trabalho dos inspetores da ONU será um "grande choque" para os EUA e exporá todas as "mentiras americanas" - desde que eles atuem de modo profissional e se livrem da pressão dos EUA. Grã-Bretanha e dos sionistas (referência a Israel). O governo da Síria qualificou hoje de "ridículas" as acusações do primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, de que o Iraque pode ter transferido armas químicas e biológicas para o território sírio, para escapar das vistorias dos peritos da ONU. Sharon fez a afirmação na terça-feira, citando fontes de inteligência e ressalvando que os dados ainda não tinham sido confirmados. "A declaração de Sharon não tem fundamento e está destinada a distrair a atenção dos arsenais nucleares, químicos e biológicos que Israel possui", assinalou a chancelaria. A Síria destacou que é signatária do tratado de não proliferação de armas nucleares (não assinado por Israel).

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