Saddam deve ser indiciado ou solto, alerta Cruz Vermelha

As autoridades da coalizão que ocupa do Iraque devem indiciar formalmente o ex-ditador Saddam Hussein ou libertá-lo assim que a soberania for transferida para o governo provisório, em 30 de junho, informa uma porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CIVC). Sob as leis internacionais, prisioneiros de guerra e civis detidos devem ser libertados ao final do conflito e da ocupação, a menos que haja acusações contra eles. Segundo a porta-voz Nada Doumani, o caso de Saddam é idêntico aos dos demais prisioneiros de guerra, já que as autoridades que ocupam o Iraque declararam-no como tal. Mohammed Rashdan, advogado jordaniano que diz representar Saddam, acusou a Cruz Vermelha ?violou a lei internacional e militar?. Para ele, o CIVC deveria ter se limitado a pedir a libertação do ex-ditador.As autoridades americanas anunciaram que cerca de 1.400 detentos serão soltos ou entregues à custódia do governo iraquiano que assumirá no final do mês. Os americanos pretendem manter de 4.000 a 5.000 prisioneiros, considerados ?ameaça à coalizão?, informam os militares.Doumani diz que ainda é cedo para dizer se a ocupação efetivamente acaba com a posse do governo provisório, ressaltando que ?a situação no local determina os fatos?. Mais tarde, Antonella Notari, principal porta-voz do CIVC em Genebra, esclareceu que ?ninguém no CIVC está pedindo a libertação de Saddam Hussein. De jeito nenhum?, explicando que ?todo prisioneiro de guerra suspeito de ter cometido qualquer tipo de crime pode ser acusado e julgado?.?Não estamos dando um ultimato ou fazendo uma pelo pela libertação?, disse Notari. ?O que estamos dizendo é: Saddam Hussein, da maneira como vemos hoje, é um prisionjeiro de guerra, protegido pela terceira Convenção de Genebra, como todos os prisioneiros são?.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.