Saddam diz não temer ataque dos EUA

Diante dos rumores cada vez mais convincentes sobre um possível ataque americano ao Iraque ainda este ano, o presidente iraquiano, Saddam Hussein, aproveitou hoje a celebração dos 14 anos do fim da guerra entre seu país e o Irã para mais uma vez deixar claro que não teme as ameaças e agressões dos Estados Unidos. Segundo o diário americano Los Angeles Times, a estratégia dele para enfrentar uma invasão dos EUA, conforme revelação feita a governadores regionais, consiste em concentrar as tropas e armamentos nas cidades-chave. Com isso, aumentariam as baixas entre civis e forças americanas e Washington ficaria numa situação difícil. Saddam praticamente descartou a possibilidade de regresso dos inspetores de armas da ONU a Bagdá, dizendo que isso só ocorrerá depois que o Conselho de Segurança (CS) da organização cumprir suas obrigações para com o Iraque, ou seja, levantar as sanções impostas ao país após a invasão do Kuwait, em 1990. Saddam se queixou de não ter obtido resposta do CS a uma lista de perguntas que ele encaminhou no início do ano, consideradas improcedentes pela ONU. O CS condiciona o levantamento das sanções ao retorno dos inspetores para verificar se o Iraque pôs fim a seu programa de desenvolvimento de armas de destruição em massa. "Não vejo nenhuma mudança de atitude", comentou em Nova York o secretário-geral da ONU, Kofi Annan. "Saddam Hussein não cedeu nenhuma polegada para cumprir as exigências do Conselho de Segurança da ONU de que permita o regresso dos inspetores de armas." Na semana passada, o goveno iraquiano convidou o chefe dos inspetores, Hans Blix, a visitar Bagdá para "conversações técnicas", indicando que poderia permitir a retomada do trabalho deles. ?Bravatas? O Departamento de Estado dos EUA qualificou o discurso de "bravatas de um ditador isolado no plano internacional" e demonstração de que o regime não pretende cumprir as resoluções da ONU. Saddam conclamou a todos os que forem capazes de carregar um fuzil, usar um canhão, conduzir um tanque, pilotar um avião ou dirigir um barco para que estejam prontos a lutar contra o inimigo. Prosseguindo em seu esforço de buscar aliados entre as nações vizinhas, ele fez novos acenos de paz ao Irã - propondo esquecer o passado e retomar relações normais - e advertiu que derrotará "qualquer um que trate de agredir aos árabes e muçulmanos". Saddam também saudou os palestinos e "cada honorável guerreiro dos fiéis que encontraram deus com um coração puro" - aparentemente, uma referência aos homens-bomba palestinos. O Iraque envia ajuda financeira às famílias dos militantes que cometem atentados suicidas. "A escuridão será derrotada. As forças do demônio carregarão seus caixões nas costas, morrerão em vergonhoso fracasso, levando de volta seus esquemas ou cavando suas covas", disse o líder iraquiano. Enquanto o pronunciamento de 25 minutos era transmitido em rede nacional de rádio e TV, mais de 15 mil voluntários iraquianos desfilavam pelas principais ruas de Bagdá, de uniforme militar e portando fuzis, para celebrar o fim da guerra entre Irã e Iraque - na qual morreram mais de um milhão de pessoas dos dois países - e prometendo defender o país e Saddam até a morte.

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