Saddam é homem maligno, diz Rice

O presidente iraquiano, Saddam Hussein, é um homem maligno que irá causar destruição no mundo caso o Ocidente nada faça para detê-lo, opinou a assessora de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, numa entrevista publicada hoje. Rice disse que os EUA acreditam que a "razão moral" para o afastamento de Saddam não diminuiu. "Trata-se de um homem maligno que, se for permitido ir adiante com seus planos, irá causar destruição novamente à sua própria população, a seus vizinhos e, se conseguir armas de destruição em massa e meios para lançá-las, a todos nós. É uma razão moral muito poderosa para a mudança de regime", afirmou ela à rádio BBC. "Certamente não podemos nos dar ao luxo de não fazer nada". Têm sido constantes as especulações de que os EUA vão lançar em breve uma campanha militar para derrubar Saddam, e pesquisas detectaram que a maioria dos britânicos se opõe à participação de seu país em um ataque. Ecoando o presidente dos EUA, George W. Bush, Rice disse que a busca por parte de Saddam de armas químicas, biológicas e nucleares em desafio a suas promessas de desarmamento depois da Guerra do Golfo, de 1991, é um poderoso motivo para que haja uma mudança de regime. "Ele usou armas químicas contra seu próprio povo e contra seus vizinhos, ele invadiu seus vizinhos, ele matou milhares de seu próprio povo", afirmou a assessora. "Ele dispara contra nossos aviões na zona de exclusão aérea, onde tentamos impor resoluções de segurança da ONU". Rice explicou que o desmantelamento da rede Al-Qaeda foi a prioridade após os ataques de 11 de setembro "porque não sabíamos quantos mais World Trade Centers já estavam planejados e prontos para serem executados", mas agora o foco é Saddam. "Certamente, se Saddam Hussein foi deixado no poder fazendo as coisas que está fazendo agora, isto é uma ameaça que irá emergir, e emergir em grande estilo", avaliou. "A história é repleta de casos de inação que causaram graves conseqüências para o mundo. Temos apenas que olhar para trás e perguntar quantos ditadores que acabaram sendo uma tremenda ameaça global e mataram milhares e, na verdade, milhões de pessoas, nós não deveríamos ter parado em seu caminho", acrescentou. Rice rejeitou críticas de que qualquer ação contra o Iraque iria deteriorar a situação no país e disse que o Ocidente teria uma obrigação de melhorar a vida dos iraquianos comuns. "Penso que no fim de qualquer ação que possamos tomar em relação a uma mudança de regime, seria uma obrigação para todos nós garantir que as coisas sejam melhores para o povo do país e o povo da região". Menzies Campbell, porta-voz de assuntos exteriores do oposicionista Partido Liberal Democrata, afirmou que os argumentos de Rice para a deposição de Saddam não se sustentam perante o direito internacional. "Em questões internacionais não é suficiente afirmar uma autoridade moral em casos onde as Nações Unidas estejam envolvidas", opinou. "Não haverá uma ordem mundial se os Estados mais poderosos se conferirem o direito de remover outros governos à sua vontade. Não existe doutrina de direito internacional que justifique mudança de regime". Gerald Kaufman, um deputado do governista Partido Trabalhista, disse num artigo publicado hoje na respeitada revista Spectator que o primeiro-ministro Tony Blair não conseguiria respaldo na Câmara dos Comuns para participar de uma guerra contra o Iraque. Ele acredita que "falcões" na administração americana estejam dando maus conselhos a Bush. "Bush, ele próprio intelectualmente o mais retrógrado presidente americano da minha vida política, está rodeado de assessores cuja belicosidade é menor apenas que seu analfabetismo político, militar e diplomático", escreveu Kaufman. Uma pesquisa publicada na segunda-feira no The Daily Telegraph mostrou que 28% dos britânicos acreditam que seria justificado um ataque dos Estados Unidos contra o Iraque, enquanto que 58% discordaram. Caso os EUA ataquem, apenas 19% acham que a Grã-Bretanha deveria participar da ação militar.

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