Saddam Hussein encerra greve de fome

O deposto presidente iraquiano Saddam Hussein encerrou, por razões de saúde, a greve de fome que havia iniciado no começo do mês em protesto pela condução de seu julgamento, informou nesta segunda-feira (27) um de seus advogados. "O presidente manteve uma greve de fome por 11 dias, mas se viu obrigado a encerrá-la por razões de saúde", disse hoje Khalil Dulaimi, que se reuniu com Saddam durante sete horas no domingo em Bagdá. O ex-ditador de 68 anos acusou o tribunal de forçá-lo a ir às sessões que ele pretendia boicotar.Os advogados de Saddam disseram que irão às sessões que serão retomada amanhã, um mês depois de terem deixado a sala de audiências em protesto e acusado o juiz chefe de agir com preconceito contra seu cliente. Saddam enfrenta um julgamento desde outubro pela matança de 148 xiitas na cidade de Dujail, em 1982.Dulaimi afirmou que solicitará à corte o adiamento das sessões, alegando a piora da situação de segurança no Iraque, apesar de estar quase certo de que o pedido não será atendido. Mais de 200 pessoas foram mortas na onda de violência sectária desencadeada na última quarta-feira pelo atentado contra a Mesquita Dourada, na cidade de Samara. A mesquita é o quarto lugar mais sagrado para os xiitas no Iraque.Enquanto isso, a violência seguiu implacável no Iraque após o levantamento do toque de recolher imposto para conter a os choques entre xiitas e sunitas. Pelo menos 20 pessoas morreram e o temor de uma guerra civil levou famílias a deixarem as áreas de maior conflito.Após as orações da tarde, a explosão de uma motocicleta-bomba acionada por controle remoto matou três pessoas perto de uma mesquita sunita no leste de Bagdá, de maioria xiita. Já na parte oeste da capital, de maioria sunita, quatro civis morreram e 13 ficaram feridos em um ataque com granadas de morteiros.Em outro ponto de Bagdá, comandos do Ministério de Interior do Iraque atacaram supostos rebeldes que teriam forçado 15 famílias xiitas a sair de suas casas. Oito policiais e cinco supostos insurgentes morreram no choque, informou o ministério.Enquanto isso, o corpo de um funcionário de um partido sunita foi encontrado hoje com sinais de tortura. Por sua vez, o Ministério da Defesa informou que suas forças de segurança mataram 35 "terroristas" e detiveram 487 pessoas desde quarta-feira.Ainda nesta segunda-feira, o governo alemão desmentiu uma informação do New York Times, segundo a qual o serviço secreto alemão entregou aos EUA antes da guerra do Iraque, em março de 2003, um plano de defesa militar de Bagdá.Segundo o jornal, os EUA obtiveram antes da guerra informações-chave coletadas por dois espiões alemães que estavam atuando em Bagdá. O porta-voz do governo alemão, Ulrich Wilhelm, disse que são falsas as informações do New York Times.Uma pesquisa realizada pela rede BBC em 33 países indicou que a maioria das pessoas - 60% - considera que a intervenção militar americana e britânica no Iraque aumentou a ameaça terrorista no mundo.Durante a tarde de hoje, um funcionário do Ministério de Interior do Iraque disse que o ministro Bayan Jabr acredita que a jornalista americana Jill Carroll, seqüestrada em janeiro, está viva e será liberada em breve. Os seqüestradores haviam fixado prazo até ontem para que suas exigências fossem atendidas. Caso contrário, a refém seria assassinada.Mesmo sob condição de anonimato, a fonte não explicou o motivo do otimismo do ministro.

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