Saddam Hussein pede que iraquianos se reconciliem

Um sério Saddam Hussein pediu aos iraquianos que perdoem uns aos outros nesta terça-feira, quando voltou à corte dois dias após a decisão de outro julgamento que o condenou à morte por crimes contra a humanidade. Saddam, ao se dirigir à corte na sessão da tarde, fez referências ao profeta Maomé e a Jesus, que pediram que seus inimigos fossem perdoados. "Conclamo a todos os iraquianos, árabes e curdos, que perdoem, se reconciliem e apertem as mãos", disse Saddam, após desafiar, com respeito, uma testemunha. O ex-presidente, que compareceu de terno preto e camisa branca, tinha uma expressão grave, porém contida, durante a sessão, onde ele e outros seis acusados são julgados pela Operação Anfal contra os curdos em 1980. Saddam não se mostrou tão desafiador como há dois dias, quando gritou "Vida longa ao povo e morte aos seus inimigos!", enquanto o outro tribunal o sentenciava à forca. Nesta terça-feira, ele sentou-se em silêncio, enquanto sobreviventes curdos testemunhavam sobre falsas promessas de anistia, somente para ver seus amigos e familiares serem baleados por soldados do governo iraquiano. No domingo, outra bancada de cinco juízes condenou Saddam pelas mortes de quase 150 muçulmanos xiitas, em seqüencia à tentativa de assassinato contra ele na cidade de Dujail. Ele e dois outros foram sentenciados à morte por enforcamento. Quatro réus receberam sentenças menos rígidas e um foi absolvido. O julgamento de Anfal continuará enquanto um apelo no caso Dujail estiver no caminho. A promotoria diz que 180 mil curdos, a maioria civis, foram mortos na atuação do regime em 1987-88. Nesta terça-feira, a corte chamou três testemunhas que sobreviveram ao massacre de 278 de agosto de 1988 de mais de 30 homens curdos que haviam se rendido após ouvirem a oferta de anistia. Se a corte confirmar as sentenças, todos os três membros do Conselho Presidencial - o presidente Jalal Talabani and os vice-presidentes Tariq al-Hashimi e Adil Abdul-Mahdi - devem ratificar mandados para que as execuções possam ser realizadas. Talabani, um curdo que se opõe à pena capital, permanentemente incumbiu Abdul-Mahdi, um muçulmano xiita, a votar em seu nome. Mahdi disse que votaria pela pena capital de Saddam, o que significa que duas das três assinaturas estavam garantidas. Al-Hashimi, outro vice-presidente e um muçulmano sunita, deu sua palavra de que também assinaria pela pena máxima contra o ex-ditador como parte de um acordo, mediado pelo embaixador dos EUA no Iraque, Zalmay Khalilzad, sob o qual ele subiu ao cargo em 22 de abril. O julgamento foi adiado para a próxima quarta-feira, 8. Conteúdo ampliado às 15h06

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