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Saiba mais sobre a Cortina de Ferro, fronteira e símbolo da Guerra Fria

A fronteira entre a Europa comunista e o Ocidente, concebida pelos dirigentes soviéticos para bloquear a ideologia ocidental, se materializou de forma gradual para conter a fuga de cidadãos para o oeste

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2019 | 10h00

PARIS - A Cortina de Ferro designa a separação, primeiro ideológica e depois física, estabelecida na Europa após a 2ª Guerra entre a zona de influência soviética no leste e os países do oeste.  A barreira, emblema e fronteira da Guerra Fria, caiu em 1989 com o Muro de Berlim.

Qual a origem da expressão?

​A metáfora foi popularizada pelo britânico Winston Churchill. "De Stettin, no Báltico, a Trieste, no Adriático, uma cortina de ferro desceu sobre o continente", declarou em 5 de março de 1946 em um discurso nos Estados Unidos

A autoria é atribuída ao escritor russo Vasili Rozanov, que a utilizou em 1918 a propósito da Revolução Bolchevique em seu livro O apocalipse de nosso tempo: "Com um ruído, um clique e um grunhido, uma cortina de ferro desceu sobre a história da Rússia".

Fronteira ideológica, depois física

A fronteira entre a Europa comunista e o Ocidente, concebida pelos dirigentes soviéticos para bloquear a ideologia ocidental, se materializou de forma gradual para conter a fuga de cidadãos para o oeste.

A barreira, construída a partir de 1949 pela Hungria, e depois pelos demais países comunistas, era formada por cercas de arame farpado, valas, construções de concreto, alarmes elétricos, instalações automáticas de tiro ou minas, que seguiam por milhares de quilômetros.

O Muro de Berlim

Na Alemanha Oriental, os dirigentes comunistas decretaram em 1952 uma zona de proibição de 10 metros de largura ao longo da fronteira com a Alemanha Ocidental, com cercas de arame farpado e postos de vigilância.

Mas o dispositivo tinha uma falha: Berlim ficou dividida em duas partes - uma sob controle soviético e outra ocidental - entre as quais era possível circular sem grande dificuldade. Quase 3 milhões de pessoas encontraram refúgio na República Federal da Alemanha (RFA, Ocidental) pela Berlim Oriental entre 1952 e 1961, após a fuga da República Democrática de Alemanha (RDA, Oriental), o que privou este país de seus principais profissionais.

O regime da Alemanha Oriental obteve a aprovação de Moscou para construir o Muro de Berlim em 1961, apresentado como um "escudo antifascista".

O muro, limitado ao leste por uma terra de ninguém, media 155 quilômetros (43 km dividiam Berlim em duas partes, de norte a sul, e 112 isolavam Berlim Ocidental do território da RDA). Era composto essencialmente de concreto armado e em algumas partes por cercas de metal.

Passagem arriscada para o Ocidente

As viagens à parte Ocidental de cidadãos do leste europeu eram autorizadas sob condições rígidas. Os candidatos ao exílio corriam muitos riscos. Entre 600 e 700 pessoas, de acordo com os historiadores, morreram em tentativas de fuga do regime da Alemanha Oriental.

Apenas o Muro de Berlim provocou ao menos 136 mortes. Quase 5 mil pessoas conseguiram superar a barreira, em alguns casos usando estratégias criativas. 

Uma família escapou do telhado de um prédio, graças a uma tirolesa conectada a parentes que esperavam por eles do outro lado do muro. Outros fugiram a nado pelo Spree, o rio que atravessa Berlim, ou por túneis ou escondidos em veículos.

1989, o desmantelamento  

Em maio de 1989, a Hungria decidiu abrir sua fronteira com a Áustria, o que significou a primeira brecha na Cortina de Ferro.

Em 19 de agosto, mais de 600 alemães do leste, de férias na Hungria, aproveitaram a abertura de um posto de fronteira com a Áustria por ocasião de um piquenique pan-europeu para fugir em direção ao Ocidente, o primeiro êxodo em massa do tipo desde 1961.

Os regimes comunistas do leste da Europa começaram a cair e a URSS, então governada por Mikhail Gorbachev, decidiu não intervir. A RDA registrou manifestações sem precedentes.

Em 9 de novembro, um alto funcionário do governo da Alemanha Oriental foi surpreendido ao ser questionado sobre a data de entrada em vigor dos novos direitos de circulação para os alemães do leste. "Que eu saiba, imediatamente", balbuciou diante da imprensa. 

A resposta provocou o deslocamento de milhares de berlineses do leste em direção aos postos de controle, onde os guardas, confusos, terminaram por levantar as barreiras.

Durante a noite, os moradores da cidade, eufóricos, celebraram o acontecimento em cima do muro, que começou a ser destruído. Dois anos depois aconteceu o colapso da URSS. / AFP 

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