REUTERS/Morteza Nikoubazl/File Photo
REUTERS/Morteza Nikoubazl/File Photo

Saiba mais sobre a Guarda Revolucionária, a poderosa unidade militar iraniana 

Unidade é a mais poderosa instituição militar e de segurança do Irã e mantém controle estrito sobre assuntos econômicos e políticos estratégicos

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2019 | 20h24

O presidente americano, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira, 8, que seu governo vai designar a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã uma organização terrorista estrangeira. A Guarda Revolucionária é a mais poderosa instituição militar e de segurança do Irã e mantém controle estrito sobre assuntos econômicos e políticos estratégicos.

Ela foi criada após a Revolução Islâmica de 1979 para proteger a nova república e garantir o cumprimento de seus princípios ideológicos. Mas logo se tornou indispensável para ajudar o país na Guerra Irã-Iraque, e seu papel na reconstrução do pós-guerra a catapultou para as esferas políticas e econômicas.   

Hoje, como força leal ao líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, a Guarda Revolucionária tem influência e poder sem paralelos no Irã. Sua força econômica se espalha pelas indústrias de construção, automotiva, energia e telecomunicações. Ela está presente em quase todos os setores da sociedade iraniana, por meio da arte, da mídia, da polícia, das atividadaes cibernéticas e do socorro a vítimas de desastres naturais. 

A unidade militar é separada das Forças Armadas convencionais do Irã e comanda suas próprias unidades aéreas, terrestres e navais, além de uma rede doméstica de paramilitares conhecida como Basij. No Oriente Médio, seu grupo de operações especiais, conhecido como Força Quds, ajudou a consolidar sua autoridade em países como Iraque, Líbano e Síria. O presidente iraniano, Hassan Rouhani, tentou limitar o envolvimento da Guarda na economia do país, com pouco êxito. 

Mas o quê, especificamente, a unidade militar supostamente fez? Segundo autoridades europeias e americanas, a resposta é que ela tem sido usada para “semear a discórdia violenta pelo do mundo há décadas”. Veja alguns exemplos citados: 

-No Líbano, a Guarda Revolucionária começou a dar apoio ao grupo xiita Hezbollah ainda nos anos 80 e, segundo o Departamento de Estado, sempre foi um grande financiador do grupo; 

-Em 1994, 85 pessoas morreram quando uma bomba explodiu na Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia) em Buenos Aires. Em 2007, promotores argentinos apontaram, entre outros, um comandante da Guarda como suspeito;

-Também em 2007, o então presidente George W. Bush acusou a unidade militar de fornecer “bombas artesanais” a militantes iraquianos que combatiam as forças dos EUA; 

-Segundo o Pentágono, a Guarda deu "apoio contínuo” a insurgentes no Afeganistão. Referindo-se à Guarda Revolucionária e à Força Quds, um relatório do Pentágono de 2010 afirma que “foi recentemente descoberto um esconderijo contendo uma grande quantidade de armas de fabricação iraniana, incluindo foguetes de 107mm, a ser entregue pela Guarda a militantes afegãos”;  

-Os Estados Unidos e a União Europeia acusaram a Guarda de ajudar as autoridades sírias a reprimir rebeliões em 2011. Desde então, a unidade estaria envolvida na guerra civil; 

-O Departamento do Tesouro acusou um cidadão com dupla nacionalidade, iraniana e americana, de agir sob ordens da Guarda para assassinar o embaixador saudita em Washington, em 2011;

-O apoio da Guarda foi ”crucial” para os rebeldes houthis do Iêmen e, em 2015, funcionários americanos informaram que ela estava treinando houthis no uso de armas avançadas;

-Em 2018, Israel acusou a unidade de um ataque com foguetes ao qual respondeu atacando alvos militares ligados ao Irã na Síria. Militares israelenses disseram que foi a primeira vez que forças iranianas atacaram diretamente soldados isralenses;

-O secretário de Estado, Mike Pompeo, tuitou nesta segunda-feira: “O uso do terrorismo é fundamental para a política externa do regime iraniano. Declarar a Guarda Revolucionária terrorista, bem como a Força Quds, vai ajudar a sufocar os eixos do regime de executar sua política de destruição. Será usada pressão máxima, sem trégua, até que o regime do Irã abandone suas ambições mortíferas”. / W. POST  


TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ 

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