Luis ACOSTA / AFP
Luis ACOSTA / AFP

Saiba quais são as três principais descobertas do Pandora Papers

Investigação baseada em milhões de documentos expõe uso de offshores por parte de políticos, empresários e celebridades

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de outubro de 2021 | 22h03

O Pandora Papers é uma investigação baseada em mais de 11,9 milhões de documentos que revelam os fluxos de dinheiro, propriedades e outros ativos ocultos no sistema financeiro offshore.

Dezenas de organizações de notícias expuseram o envolvimento de líderes políticos, examinaram o crescimento da indústria nos Estados Unidos e demonstraram como o sigilo protege os ativos de governos, credores e pessoas abusadas ou exploradas pelos ricos e poderosos.

O tesouro de informações confidenciais, o maior do gênero, foi obtido pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, que organizou a investigação.

Aqui estão as três principais descobertas do Pandora Papers:

1. As sanções americanas impostas aos oligarcas russos atingiram o alvo.

Embora autoridades americanas digam que a visibilidade de contas privadas de aliados de Vladimir Putin seja rara, os documentos apresentados neste domingo mostram o alcance de sanções em um momento em que elas se tornaram a maior arma de Washington contra Moscou. Oligarcas – alvo de sanções por causa do que o Tesouro dos EUA chamou de atividade “maligna” da Rússia – fizeram de tudo para escapar de seus efeitos, às vezes reconfigurando suas posses e mudando a propriedade de ativos. Ainda assim, as medidas afetaram suas metas e geraram perdas que se espalharam pelas redes financeiras que incluem esses aliados do Kremlin.

2. Alguns Estados americanos se tornaram centrais no sistema offshore. 

O governo dos Estados Unidos sempre condenou centros financeiros offshore proeminentes, cujas promessas de discrição há muito tempo atraem oligarcas, magnatas dos negócios e políticos. Os documentos revelados neste domingo expõem como líderes políticos e corporativos estrangeiros e seus parentes transferiram dinheiro e outros ativos nos últimos anos de paraísos fiscais internacionais para empresas americanas ainda mais secretas, incluindo algumas em Dakota do Sul. Os registros também mostram como uma empresa na América Central se tornou um balcão único para clientes americanos, permitindo-lhes ocultar seus ativos enquanto enfrentam investigações criminais ou ações judiciais.

3. Um dos maiores escândalos envolve o mercado de arte. 

Os registros revelam como um negociante de arte notório, Douglas Latchford, e sua família estabeleceram trustes em paraísos fiscais logo depois que investigadores americanos começaram a ligá-lo ao saque de artefatos cambojanos que permanecem em coleções importantes, incluindo o Metropolitan Museum of Art de Nova York e o British Museum de Londres. Esses museus e outros disseram que tomam muitos cuidados para garantir que os itens que adquirem não sejam roubados e que os padrões de proveniência mudaram ao longo dos anos. / W. POST

 

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