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Saiba quem é a brasileira nomeada por Biden para força-tarefa contra a covid

Equipe será responsável por elaborar um plano para a nova administração democrata combater a pandemia que já matou mais de 230 mil pessoas nos Estados Unidos

Beatriz Bulla / Correspondente, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2020 | 16h24
Atualizado 09 de novembro de 2020 | 23h11

WASHINGTON - A brasileira Luciana Borio integra o time de 13 especialistas que orientam Joe Biden e Kamala Harris sobre o combate à pandemia de coronavírus. Borio é carioca, mas passou boa parte de sua vida profissional nos Estados Unidos, onde integrou os governos George W. Bush, Barack Obama e Donald Trump e dedicou sua carreira à preparação do país para epidemias.

Em entrevista ao Estadão em maio, Borio disse que assistiu, nos últimos três anos, a um esvaziamento do sistema contra epidemias que ajudou a colocar de pé. "Houve uma mudança de direção. Perdemos tempo nesses três anos", disse. Segundo ela, a opção mais recente foi por centrar esforços no combate a armas biológicas e se deixou de lado a preparação para enfrentar uma pandemia.

Ela começou a trabalhar no governo americano na presidência de George W. Bush depois do atentado às Torres Gêmeas, em 2001, e de lá para cá foi diretora para preparação médica e de biodefesa do Conselho de Segurança Nacional, que assessora a Casa Branca -- órgão extinto no governo Trump, além de cientista chefe do FDA, a agência reguladora de drogas e alimentos no país. 

Antes, fez a graduação em medicina pela George Washington University School of Medicine and Health Sciences, em 1996, e residência na NewYork-Presbyterian/Weill Cornell Medical Center. Ela se especializou em doenças infecciosas na renomada Universidade Johns Hopkins, em um estudo combinado com medicina de cuidados críticos no Instituto Nacional de Saúde (NIH, na sigla em inglês). 

Durante seu período no governo americano, Borio participou da linha de frente das repostas de saúde pública para a pandemia de H1n1, entre 2009 e 2010, para o surto de ebola, de 2014 a 2016, e para o surto de Zika, de 2015 a 2016.

Mesmo afastada do governo, ela tem sido uma das principais vozes no debate de políticas públicas nos EUA durante a pandemia de coronavírus, com artigos publicados nos principais jornais e sites do país e participação em debates com os integrantes da força-tarefa de combate à covid-19 do governo Trump.

Em suas publicações recentes, ela criticou duramente a adoção da cloroquina como tratamento para a covid-19 antes de comprovação científica de sua eficácia. "Partiu meu coração ver como esse assunto foi tratado", afirmou, na entrevista ao Estadão.

"Epidemias são eventos altamente disruptivos. Imagine por um minuto que uma epidemia surgiu em sua comunidade e você não pode pegar transporte público, você não pode trabalhar, você não pode ir à escola (...) para evitar uma propagação maior da doença. E se você é um profissional da saúde, imagine trabalhar com o medo do contágio", disse Borio, em um Ted Talk, em 2015, ao falar sobre sua experiência com o ebola. No mesmo evento, defendeu os "princípios científicos verdadeiros e comprovados" que podem dar a informação necessária para salvar vidas em uma pandemia.

Ela também tem defendido as medidas de distanciamento social para controle do vírus, um plano de ação fundamentado por pesquisas científicas e afirma que governo federal coordene esforços com Estados e com setor privado.

No ano passado, ela saiu do setor público para a In-Q-Tel, uma empresa de investimento estratégico em tecnologia para defesa e segurança nacional.

 

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