Saiba quem é a ex-premiê paquistanesa Benazir Bhutto

Depois de oito anos de exílio voluntário, a ex-premiê volta ao país e é recebida por milhares

BBC,

18 de outubro de 2007 | 19h56

Benazir Bhutto ocupou o cargo de primeira-ministra do Paquistão duas vezes, de 1988 a 1990 e de 1993 a 1996. Em ambas ocasiões, seu governo foi dissolvido de forma prematura por ordens presidenciais. Ela deixou o Paquistão em 1999, dois anos após a prisão de seu marido e de uma série de acusações de corrupção terem sido apresentadas contra ela. Bhutto alega inocência e optou por um exílio voluntário em Londres.A lei que torna inválidos os processos por corrupção contra ela está sendo contestada nos tribunais, o que significa que a ex-primeira-ministra ainda pode ser presa.Negociações para retorno ao poder As negociações em busca de uma aliança para dividir o comando do Paquistão com o presidente, o general Pervez Musharraf, começaram nas eleições gerais de 2002, quando Bhutto, que é líder do maior partido do país, o PPP, se aproximou de Musharraf. Em 2006, as tratativas avançaram, mas a ex-premiê não conseguiu convencer os representantes do presidente de que ele deveria abandonar o cargo de comandante do Exército antes de tentar um novo mandato presidencial. A popularidade de Musharraf diminuiu em 2007, depois que ele tentou, sem sucesso, afastar o presidente da Suprema Corte, considerado um crítico de seu regime. A tentativa de Musharraf provocou protestos em todo o país e foi considerada a mais séria ameaça a seu governo desde que ele assumiu o poder, em 1999, em um golpe de Estado.Antes das eleições presidenciais, o general prometeu que abandonaria o comando do Exército antes de fazer o juramento de seu novo mandato. Com isso, caiu um dos principais empecilhos à aliança entre Musharraf e o PPP de Benazir Bhutto. Mas, a Justiça ainda discute a situação legal do general, que foi reconduzido à Presidência nas eleições de 6 de outubro. A Suprema Corte julgará se ele poderia ter se candidatado, e um parecer não é esperado em pelo menos duas semanas.Desavenças com MusharrafContudo, outras desavenças entre a ex-primeira-ministra e o presidente ainda não foram resolvidas - como as disposições constitucionais que proíbem uma pessoa de servir mais de dois mandatos como primeiro-ministro e as que dão ao presidente poderes especiais para dissolver o governo. O PPP quer que os dois dispositivos sejam dissolvidos, mas, ao menos por ora, parece ter deixado a questão em suspenso. Com a aproximação de eleições parlamentares (que devem ocorrer até a metade de janeiro de 2008) e a diminuição da popularidade de Musharraf, Benazir Bhutto pode usar o limbo legal a seu favor, pressionando o governo para que faça mais concessões, como dar garantias de que as eleições serão livres.Com seu apelo popular, ela também poderia competir de forma mais agressiva com Musharraf por espaço para seus aliados no governo.Retorno ao Paquistão e ameaças de atentado Mas, além da possibilidade de ser presa, a ex-primeira-ministra também enfrenta as ameaças de atentados suicidas de ativistas do Talebã, que já prometeram assassiná-la. Em 18 de outubro de 2007, a ex-premiê retornou ao Paquistão, sendo recebida por milhares de nas ruas da capital do país, em Karachi. Horas mais tarde, duas bombas explodiram em um grande atentado suicida durante o trajeto que o cortejo de Bhutto fazia pelas ruas. Pelo menos 100 pessoas morreram e centenas ficaram feridos. Bhutto escapou do ataque.O problema dos militantes islâmicos não é novo para a ex-primeira-ministra, cujo partido tem um histórico de sucesso no combate a esse tipo de problema em Karachi e no noroeste do país na metade dos anos 90.Com credenciais seculares e liberais, ela poderia ser o nome ideal para deter os militantes islâmicos que atuam no Paquistão, caso consiga retornar a ser primeira-ministra.

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