Saiba quem são os líderes da Aliança do Norte, aliada dos EUA

Senhor da guerra uzbeque, o general Rashid Dostum é acusado de ter permitido massacres e estupros em massa. Outro senhor da guerra traiu Dostum e uniu-se ao Taleban e depois mudou novamente de lado e é também acusado de atrocidades. Um terceiro convocou uma guerra para expulsar tropas dos Estados Unidos de terras muçulmanas. Estes senhores estão entre os novos aliados dos EUA dentro do Afeganistão, os líderes da Frente Unida, ou Aliança do Norte, integrada por rebeldes que os militares norte-americanos estão ajudando com bombardeios, mesmo mantendo uma cuidadosa distância deles. Eles são o que o secretário de Defesa Donald H. Rumsfeld chama de "grupo de elementos separados" que "nem sempre concordam entre si sobre o que deve ser feito". Esta frouxa aliança de senhores da guerra, de grupos étnicos minoritários, com uma longa história de desconfiança, violência e abusos dos direitos humanos, destruiu a maior parte de Cabul, a capital, quando governaram o Afeganistão de 1992 a 1996. Durante brutais lutas internas, eles mataram dezenas de milhares de pessoas. "Eles estão mais para bandidos do que para heróis", disse Charles Fairbanks, um especialista em Ásia Central em Washington. Ainda assim, eles são parte do único grupo que lutou contra o Taleban nos últimos cinco anos - e, portanto, são um óbvio aliado para os Estados Unidos em seus esforços para derrubar os líderes do Taleban e capturar o homem que eles protegem, o exilado saudita Osama bin Laden. Não existe um grupo similar no sul, apesar de a CIA estar tentando ganhar simpatia entre pashtus, o maior grupo étnico afegão e a principal base de apoio do Taleban. Mesmo se a Aliança do Norte derrotar o Taleban, as Nações Unidas, os Estados Unidos e outros países insistem em que os pashtus do sul também devem participar de qualquer governo subseqüente. Ninguém ainda sabe como isso pode ser posto em prática. Entre os líderes da Alinça do Norte estão: General Rashid Dostum, um senhor da guerra uzbeque étnico, foi um general no Exército comunista que governou o Afeganistão depois que o Exército Vermelho soviético deixou o país em 1989. As forças de Dostum são conhecidas por suas táticas brutais. Quando insurgentes islâmicos começaram a impor derrotas aos comunistas em 1992, Dostum trocou de lado. Suas forças foram acusadas de estupro, massacres e saques ao redor de Cabul. Dostum também é acusado de lançar ataques indiscriminados de mísseis contra Cabul que mataram milhares de pessoas e de atrocidades de 1992 a 1997, quando controlou a cidade nortista de Mazar-i-Sharif. Dostum lidera agora o asssalto rebelde contra Mazar-i-Sharif, recebendo ajuda dos bombardeios americanos. Abdul Malik, o outro único grande senhor da guerra uzbeque, é um inimigo jurado de Dostum. Malik traiu Dostum em 1997, aliando-se brevemente aos talebans e ajudando a milícia islâmica a capturar Mazar-i-Sharif. Mas Malik rapidamente trocou de lado novamente, unindo-se a muçulmanos xiitas para massacrar centenas de combatentes talebans. O Taleban recapturou então a cidade e massacrou por seu lado centenas de oposicionistas. Malik é agora um comandante da Aliança do Norte, numa região separada da de Dostum. Burhanuddin Rabbani, um ex-palestrante sobre lei islâmica na Universidade de Cabul, detém a cadeira do país nas Nações Unidas. Ele é um tadjique étnico e mantém estreitos contatos com o vizinho Tadjiquistão. Mas o ex-comandante militar de Rabbani, Ahmad Shah Massud, assassinado pouco antes dos atentados de 11 de setembro, era acusado de muitas atrocidades, entre elas estupros em massa em Cabul, em 1995. Um porta-voz de Rabbani disse recentemente que seu governo deveria administrar sozinho o Afeganistão por vários anos depois da derrota do Taleban. Autoridades dos EUA rejeitaram a idéia, exigindo que um governo de amplas bases seja escolhido pelos afegãos. Abdul Rasul Sayyaf, o vice-primeiro-ministro de Rabbani, chefia o único grupo anti-Taleban formado em grande parte por pashtus. Sayyaf protestava anteriormente contra a presença de tropas norte-americanas na Arábia Saudita e ofereceu-se para participar de uma guerra para expulsar os norte-americanos. Sayyaf tem também uma longa história de perseguição à minoria xiita hazara, alguns dos quais se encontram na Aliança do Norte. Nos anos 90, os dois grupos se envolveram num sangrento conflito em Cabul que deixou milhares de mortos. Testemunhas afirmam que tropas de Sayyaf promoveram massacres e estupros após capturarem áreas xiitas. Haji Abdul Qadir, um ex-governador de província, deu boas-vindas a Bin Laden quando o exilado saudita chegou ao Afeganistão em 1996, depois de ter sido convidado a se retirar do Sudão. Mas quando o Taleban dominou sua região, Qadir fugiu para o Paquistão. Ele agora está de volta, lutando na Aliança do Norte. Gulbuddin Hikmatyar, um pashtu, lançou intensos ataques de mísseis que mataram muitos civis em Cabul, numa ação para ganhar poder depois da partida dos soviéticos. Ele foi forçado a deixar a área em 1995 e tem vivido no Irã. Recentemente, ele tem falado em retornar. Leia o especial

Agencia Estado,

25 Outubro 2001 | 18h24

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