Pier Paolo Cito/AP
Pier Paolo Cito/AP

Saiba quem são os possíveis sucessores de Silvio Berlusconi

Quatro nomes são tidos como prováveis candidatos a ocupar o cargo de premiê da Itália

BBC Brasil, BBC

09 de novembro de 2011 | 12h33

ROMA - Com o agravamento de sua crise de débito, a Itália mergulhou em um imbróglio político que pode resultar na renúncia do premiê Silvio Berlusconi e na formação de um novo governo.

Há duas possibilidades que se colocam mediante uma possível saída de Berlusconi: a formação de um novo governo interino chefiado por tecnocratas ou a manutenção da atual coalizão de governo sob a chefia do partido de Berlusconi, mas com um novo líder.

Mas quais são afinal os candidatos à sucessão de Berlusconi? A BBC preparou um perfil dos políticos com mais chances de assumir o cargo:

 

MARIO MONTI 

Um dos nomes citados com mais frequência é o de Mario Monti, que foi o Comissário europeu responsável em combater os monopólios e zelar por uma concorrência comercial saudável na União Europeia.

No cargo, que ocupou entre 1999 e 2004, ele ganhou o apelido de "Super Mario", pela tenacidade que mostrou ao se opor aos poderosos bancos regionais alemães e por impedir a fusão entre os gigantes do setor de energia General Electric e Honeywell.

 

Antes disso, de 1995 a 1999, ele foi Comissário europeu para mercado interno e serviços. O fato de ele ter sido apontado para cargos na Comissão Europeia durante um dos governos de Berlusconi e confirmado novamente no cargo durante um governo de esquerda pode sugerir que Monti tem apoio em vários partidos. Mas Berlusconi se recusou a apoiar o nome de Mario Monti para continuar na Comissão Europeia em 2004.

Atualmente com 68 anos, o ex-professor de economia da região da Lombardia foi apontado recentemente em Bruxelas para escrever um relatório a respeito do futuro mercado único europeu. "Ele tem experiência e (...) é uma das personalidades italianas mais estimadas", disse Gianfranco Fini, presidente da Câmara do Parlamento italiano.

Monti pode ter as qualificações econômicas e as conexões necessárias nos países da zona do euro, mas a questão ainda não respondida é se a coalizão de Berlusconi quer realmente entregar o poder para um líder que não foi eleito.

GIANNI LETTA 

Letta é visto por muitos como o braço direito de Berlusconi e tem a vantagem de contar com a lealdade do partido do governo. Mas, justamente por isso, ele pode acabar sendo identificado com os fracassos políticos do atual governo italiano.

Ex-jornalista e apresentador de televisão da província de Áquila, Letta foi o chefe de gabinete dos três governos de Berlusconi. A associação de Letta com Berlusconi vem da década de 80, quando ele se juntou ao grupo Fininvest.

Em 2006 ele foi derrotado na eleição para a Presidência da Itália, vencida pelo ex-comunista Giorgio Napolitano, que ainda ocupa o cargo.

Com 76 anos, Letta é um ano mais velho que Berlusconi, que gostaria de ve-lo no cargo de presidente do país. O próprio Berlusconi, entretanto, indicou outro nome, o de Angelino Alfano, para sucedê-lo.

ANGELINO ALFANO 

O nome indicado por Berlusconi tem apenas 41 anos e foi o mais jovem Ministro da Justiça da Itália moderna. De acordo com o perfil publicado no jornal britânico Daily Telegraph, Alfano é mais conhecido como o criador da polêmica lei que dava imunidade a Berlusconi em processos criminais.

A "Lei Alfano" garantiu a imunidade para os quatro cargos mais importantes de governo da Itália, o presidente, o primeiro-ministro e os dois presidentes no Parlamento.

Partidário leal de Berlusconi desde a década de 90, o ex-advogado da Sicília assumiu, em 2011, a liderança do Povo da Liberda, partido de Berlusconi, depois de o partido ter perdido as eleições locais em Milão e Nápoles.

Alfano tem boas chances de suceder Berlusconi, caso o próximo governo italiano venha a ser fruto de uma reorganização da coalizão que já está no poder. Mas, a relativa juventude do ex-advogado poderá fazer com que o partido lance o nome dele apenas nas próximas eleições e entregue nas mãos da velha guarda o gerenciamento da atual crise econômica do país.

RENATO SCHIFANI

Como o siciliano Alfano, o presidente do Senado é advogado e um membro antigo e leal do partido de Berlusconi. Schifani foi eleito como presidente do Senado em 2008. Neste cargo, ele assumiria automaticamente a Presidência no caso da morte do atual presidente.

Aos 61 anos ele tem a experiência política que Alfano ainda não tem, e, ao mesmo tempo, é bem mais jovem do que Letta, por exemplo. Por outro lado, Schifani, assim como Alfano e Letta, é muito próximo de Berlusconi.

 

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