Daniel Leal-Olivas / AFP
Daniel Leal-Olivas / AFP

Se acordo do Brexit for aprovado no Parlamento hoje, Londres sairá da UE no dia 22 de maio

Caso Reino Unido não aprove o pacto nesta semana, União Europeia considera que país sairá do bloco no dia 12 de abril sem nenhum acordo ou será forçado a pedir a Bruxelas outro adiamento

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2019 | 09h10

BRUXELAS - O Reino Unido garantirá 22 de maio como nova data para o Brexit - saída do país da União Europeia (UE) -, caso o Parlamento britânico aprove o acordo de separação nesta sexta-feira, 29, disse o principal negociador do bloco, Michel Barnier.

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“Votação importante hoje na Câmara dos Comuns. Como lembrete, a aprovação do acordo de retirada até 29 de março garantirá a prorrogação até 22 de maio”, disse Barnier no Twitter.

Caso o Reino Unido não aprove o acordo nesta semana, a UE considera que país vai sair do bloco no dia 12 de abril sem nenhum acordo ou será forçado a pedir a Bruxelas outro adiamento da data do Brexit, desta vez mais longo.

Três anos de crise

A votação, que acontece no dia em que o país sairia da UE oficialmente, ilustra a profundidade da crise de três anos do Brexit, e ainda não se sabe como, quando ou sequer se o Reino Unido se separará algum dia.

Os parlamentares votarão por volta das 11h30 (em Brasília) o Acordo de Saída de 585 páginas de May, mas não a Declaração Política de 26 páginas sobre as relações futuras, em uma manobra para contornar um impedimento à apresentação repetida do mesmo documento a uma votação.

“De fato é a última chance que temos para votar no Brexit como o entendemos”, disse Liam Fox, ministro do Comércio pró-Brexit. Ele ressaltou existir, entre os apoiadores do Brexit no Parlamento, o temor de que o divórcio do bloco seja frustrado - uma medida que, segundo ele, criaria “um abismo de desconfiança” entre eleitores e líderes políticos.

Para vencer a votação, May precisa do apoio de dezenas de parlamentares pró-Brexit de seu próprio partido e de mais de 20 parlamentares do Partido Trabalhista, de oposição.

O presidente do Parlamento, John Bercow, disse que a casa não votará nenhuma emenda, mas o advogado-geral, Geoffrey Cox, insinuou que o governo teria aceitado uma proposta do parlamentar trabalhista Gareth Snell para aumentar o poder do Legislativo sobre a segunda fase das conversas.

Mas o Partido Unionista Democrático da Irlanda do Norte (DUP), que sustenta o governo de minoria de May, disse que não mudará de ideia e que seus 10 parlamentares votarão contra o acordo.

Enquanto a premiê busca salvar seu pacto e alguns parlamentares tentam assumir o controle do processo, milhares de defensores da separação planejam protestar no centro de Londres com uma marcha sobre a “Traição do Brexit”, liderada pelo ativista Nigel Farage, que terminará diante do Parlamento. / Reuters

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