Saída de secretário da Defesa eleva tensão no Paquistão

O governo do Paquistão demitiu nesta quarta-feira o secretário de Defesa do país, o tenente-general reformado Naeem Khalid Lodhi, mas o Exército advertiu para as "graves consequências" do ato para o país, intensificando a crise política e legal que alguns acreditam que pode terminar com a destituição do governo.

AE, Agência Estado

11 de janeiro de 2012 | 16h43

Lodhi, homem leal ao Exército que é visto como uma ponte entre os generais e o governo civil, foi demitido por "falta grave e ação ilegal" e foi substituído por um burocrata ligado ao primeiro-ministro Yousuf Reza Gilani, informou o governo em comunicado.

O relacionamento entre o presidente Asif Ali Zardari e os generais nunca foi bom, mas piorou dramaticamente nos últimos meses por causa de um memorando enviado a Washington, pedindo ajuda para frear o poder dos militares. A instabilidade política tem marcado este governo desde sua posse em 2008, após uma ditadura militar de dez anos.

O atual impasse tem prejudicado a capacidade do país de combater militantes da Al-Qaeda e do Taleban e coincide com o quase colapso das relações entre o Paquistão e os Estados Unidos, relacionamento visto como de grande importância para a negociação do final da guerra no Afeganistão.

O memorando, supostamente escrito sob orientação do então enviado a Washington, irritou o Exército, que o retratou como uma ameaça à segurança nacional. Agindo sob pressão, o Tribunal Superior ordenou uma investigação para estabelecer se o documento teve aprovação de Zardari, algo que poderia levar a audiências para um futuro impeachment.

"Eu acho que as linhas foram desenhadas, agora depende de quem dispara o próximo tiro", disse Rasul Bakhsh Rais, professor de ciência política na Universidade de Ciências de Gestão de Lahore. "Trata-se de uma guerra em três dimensões: o Judiciário, o Executivo e as Forças Armadas."

A maioria dos analistas independentes diz que o Exército tem pouco apetite para um golpe direto, mas ficariam felizes em permitir que o Tribunal Superior, que é visto como hostil a Zardari, encerrasse o mandato de Zardari por meios "constitucionais".

"Não podemos descartar esses impulsos. Eles estão enraizados na história, mas neste momento o Exército decidiu que não fará nada. Em vez disso, eles ficarão de lado e verão a atuação do tribunal", disse Rais. As informações são da Associated Press.

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