Saída do Afeganistão está prevista para 2014, diz Otan

Organização quer passar o controle da segurança a forças afegãs mas admite que deve permanecer no país após o prazo

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2010 | 00h00

Os EUA e os outros 27 membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) anunciaram ontem, em Lisboa, um plano conjunto de retirada total de suas tropas do Afeganistão até 2014, ano em que, segundo a entidade, a segurança do país deverá passar à responsabilidade de forças afegãs.

De acordo com a Otan, porém, que se não houver suficiente progresso neste sentido, a Força Internacional de Estabilização (Isaf, na sigla em inglês) continuará no país. "Após a transição, permaneceremos com um papel de apoio", disse o secretário-geral da entidade, Anders Fogh Rasmussen.

"O presidente afegão, Hamid Karzai, e eu assinamos um acordo de colaboração a longo prazo entre a Otan e o Afeganistão que persistirá além de nossa missão de combate", afirmou.

Karzai, mostra-se cada vez mais crítico à presença das tropas da Otan no país e exige, de imediato, o fim dos ataques noturnos ao Taleban.

A organização pretende realizar um plano de transferência gradual da responsabilidade pela segurança nos próximos quatro anos. Atualmente, o papel é desempenhado pela Isaf, que dispõe de 98 mil soldados americanos e 45 mil de outros países.

A Otan e os EUA, em especial, não querem sair do Afeganistão como derrotados. O presidente dos EUA, Barack Obama, reafirmou este ano sua estratégia de iniciar a retirada dos soldados americanos em junho de 2011. Assim como no Iraque, os EUA devem manter no país um expressivo contingente a partir de julho, voltado também ao treinamento das forças de segurança afegãs.

A ansiedade pela saída do Afeganistão não corresponde apenas ao cumprimento de uma promessa de campanha. "Essa cúpula é uma importante oportunidade para nós alinharmos um enfoque para a transição no Afeganistão", disse Obama, em Lisboa.

Até a sexta-feira, os EUA contabilizavam 1.398 soldados mortos desde a invasão ao país, em 2001, e se viam pressionados internamente a conter a expansão dos gastos públicos. Seus principais aliados, a Grã-Bretanha, a Alemanha e a França, estão igualmente forçados a cortes fiscais na área de defesa. Em julho, a Holanda antecipou-se e iniciou sua retirada./COM REUTERS E AP

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