Saída do Iraque impõe dilema a Obama

Retirada em 16 meses, como presidente prometeu em campanha, encontra resistência de comandantes militares

The New York Times e AP, Washington, O Estadao de S.Paulo

30 de janeiro de 2009 | 00h00

O presidente americano, Barack Obama, procura redefinir a missão dos EUA no Iraque, e encontra-se diante de uma difícil escolha: deverá abandonar uma promessa de campanha ou correr o risco de uma ruptura com os militares? Ou encontrará outra alternativa? Desde que assumiu a presidência, na semana passada, Obama voltou a prometer o fim da Guerra no Iraque, mas não reiterou a promessa de campanha de que retiraria aproximadamente uma brigada de combate por mês durante os seus primeiros 16 meses no cargo. Seu comandante-chefe no Iraque propôs iniciar a retirada a um ritmo mais lento, alertando sobre os perigos de uma saída muito acelerada. Na quarta-feira, Obama visitou o Pentágono pela primeira vez desde que se tornou presidente, aparentemente à procura de uma opção que lhe permita manter sua promessa, pelo menos em teoria, sem perder o apoio dos generais. A Casa Branca indicou que Obama está aberto a alternativas para o prazo de 16 meses que ele estabeleceu e enfatizou que a segurança é um fator importante em sua decisão. "Não estamos mais debatendo se, mas como e quando", disse Robert Gibbs, porta-voz da Casa Branca, falando sobre a saída do Iraque. "O presidente pretende cuidar seriamente do processo." E acrescentou: "Ele quer garantir a segurança de nossas tropas durante a retirada das brigadas de combate; conforme já reiterei, ele quer entregar aos iraquianos a responsabilidade e a oportunidade de se esforçar muito mais na missão de governar seu país; e quer fazer isso por meio de consultas com todos os líderes." Entre as pessoas consultadas pelo presidente Obama estava o general Ray Odierno, comandante-chefe no Iraque, que elaborou um plano mais lento do que o estabelecido por Obama, retirando duas brigadas nos próximos seis meses. Em uma entrevista concedida no Iraque, na quarta-feira, Odierno sugeriu que talvez seja necessário o restante do ano para determinar se as forças americanas poderão ser retiradas de maneira drástica. "Acredito que se pudermos passar o próximo ano pacificamente, com uma situação mais ou menos semelhante ou até mesmo melhor do que a de hoje, estaremos próximos de uma estabilidade duradoura que nos permita realmente reduzir o número de tropas", afirmou Odierno ao inspecionar uma sessão eleitoral no sul de Bagdá, antes das eleições provinciais de hoje. Ele disse que o período entre as eleições locais e as nacionais, em 2010, será crucial para determinar o futuro do Iraque. Embora as forças americanas possam ser retiradas parcialmente antes desta data, ele sugeriu que, a partir daí, possa ocorrer o grosso da retirada. "Vamos reduzir as forças ainda este ano", afirmou o general Odierno. "É o momento certo para fazer isso. Acredito que os iraquianos estão obtendo progressos. Está na hora de deixarmos nossos postos em alguns lugares e entregar o controle a eles." E acrescentou: "O que queremos fazer é modificar aos poucos o caráter de nossa missão, anteriormente concentrada no combate aos rebeldes, e passar a nos concentrar em operações de estabilização."BLACKWATERO governo iraquiano afirmou ontem que proibiráa polêmica empresa de segurança Blackwater de trabalhar no Iraque, por causa de sua "conduta imprópria e do uso excessivo da força". A decisão vai retirar do Iraque a principal força de proteção a americanos em serviço no Iraque. "Temos de estudar a medida para ver o que faremos em seguida", disse Robert Wood, porta-voz da Casa Branca. Em dezembro de 2007, disparos de seguranças da Blackwater mataram 17 civis em Bagdá. No dia 6, um tribunal americano inocentou cinco dos acusados de ter participado do massacre. Bagdá qualifica os envolvidos de "criminosos" e pressiona Washington pela condenação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.