REUTERS/Sergio Perez
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Saída do líder do PSOE favorece premiê espanhol

Sánchez renuncia após ser amplamente contestado na legenda, que sofreu duas grandes derrotas nacionais

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

03 Outubro 2016 | 19h26

A renúncia do líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez, no fim de semana, reabriu nesta segunda-feira, 3, a perspectiva de que o atual premiê, Mariano Rajoy, possa continuar no poder na Espanha, encerrando o impasse político iniciado em dezembro. Uma parte da legenda de oposição defendeu hoje a abstenção caso o líder do Partido Popular (PP) tente mais uma vez formar um governo.

Sánchez renunciou ao cargo após ser amplamente contestado no interior da legenda, que sofreu duas grandes derrotas nacionais – em 22 de dezembro e em 26 junho -, quando registrou seus dois piores resultados desde a redemocratização. 

A gota d’água foram eleições regionais nas quais o PSOE voltou a ser ultrapassado, desta vez até mesmo pelo partido de esquerda radical Podemos. Entre 2008 e 2011, o eleitorado do partido foi reduzido, passando de 46% a 28% dos votos. A queda se acentuou na legislatura seguinte, quando caiu de 28% a 22% dos votos – sempre atrás do PP.

Diante da pressão insustentável, Sánchez acabou renunciando. Nos últimos dias ele vinha sendo acusado de colocar seus interesses pessoais acima da "governabilidade” da Espanha e de sua estratégia “populista”, segundo o jornal El País. Como o socialista era o principal líder político de oposição a rejeitar dialogar com Rajoy, impedindo o atual primeiro-ministro de permanecer no cargo, o obstáculo foi removido.

Sánchez era um ponto de equilíbrio interno entre os correligionários que desejavam a abstenção em favor de Rajoy e a ala de esquerda que defendia uma aproximação com o líder do Podemos, Pablo Iglesias.

Hoje, o novo líder interino, Javier Fernández, abriu a porta para que o partido crie condições para uma nova posse de Rajoy. "Uma abstenção não é o mesmo que um apoio", afirmou. 

Com o apoio do partido liberal centrista Ciudadanos, Rajoy não precisa de votos a favor de sua candidatura no Parlamento. Com 13 abstenções, que agora podem vir de deputados socialistas, o conservador será confirmado no cargo. Uma nova sessão no Parlamento ainda não tem data marcada.

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