Saída honrosa para um grupo cercado e enfraquecido

Fundada em 1964, a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia chegou a ter entre os anos 80 e 90 um número estimado de 18 mil combatentes. Dominou mais de 30% do território colombiano, convertendo-se num dos maiores pesadelos para sucessivos governos centrais em Bogotá, abalados também pela ação de outros grupos esquerdistas, paramilitares de extrema direita e poderosíssimos cartéis de narcotráfico - que se infiltraram em vários níveis do Estado nacional.

CENÁRIO: Roberto Lameirinhas - O Estado de S. Paulo,

06 de novembro de 2013 | 23h09

As Farc financiaram sua campanha com a cobrança de "imposto de guerra" sobre todas as atividades econômicas sob seu controle, incluindo o tráfico de cocaína.

A primeira tentativa de pacificar os rebeldes falhou após um acordo de paz em 1985, quando as Farc e demais grupos esquerdistas se uniram no movimento político União Patriótica (UP). O pacto foi sabotado por paramilitares das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) e cartéis de drogas. Mais de 3 mil membros da UP foram mortos pelos "paras". Reagrupadas nas florestas e montanhas, as Farc retomaram o combate ao Exército regular. Bem treinados, fortemente armados e com posições bem consolidadas, os guerrilheiros sustentaram com as forças de Bogotá um longo impasse militar - o Exército não tinha poder suficiente para derrotar a guerrilha, que, por sua vez, não conseguia tomar o poder.

A situação começou a mudar em 1994, quando os EUA passaram a ajudar com US$ 700 milhões por ano os militares colombianos, um esforço conhecido como Plano Colômbia. Com a decadência dos grandes cartéis, segundo Washington, as Farc tinham assumido as atividades mais lucrativas do contrabando de drogas. A guerrilha também se especializara nos sequestros, tanto com finalidade política - como o da candidata presidencial Ingrid Betancourt - quanto financeira.

Com a chegada ao poder de Álvaro Uribe, em 2002, o Exército recebeu ordens e armas para intensificar o combate às Farc. Político de linha dura cujo pai foi morto pela guerrilha, Uribe teve a caça aos rebeldes facilitada não só pelo Plano Colômbia, mas também pela pacificação dos "paras" e a derrota dos narcotraficantes.

Os militares restringiram a ação das Farc às áreas sob seu controle. Ataques pontuais mataram os principais líderes, como Raúl Reyes e Alfonso Caño, e reduziram a capacidade do grupo de lucrar com a cocaína. As Farc minguaram para entre 4 mil e 6 mil combatentes. Um acordo de paz, neste cenário, seria a saída mais honrosa.

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