Saída para a Venezuela é o entendimento, diz Gaviria

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), César Gaviria, disse que a Venezuela tem uma única saída para resolver a crise política: o acordo entre as duas partes, a oposição e o governo do presidente Hugo Chávez. "Não há ações isoladas, de uma ou da outra parte, que possam conduzir a uma solução da crise que vive o país. Apenas com um acordo que permita uma saída eleitoral será possível sair desta situação", alertou Gaviria no início da madrugada desta terça-feira, depois de ter conduzido mais uma reunião entre representantes do governo e da oposição em um hotel de Caracas."Se cada um (lado) espera vencer, ganhar, e impor seus pontos de vista, será difícil a Venezuela sair desta situação", insistiu Gaviria, pouco depois de o Conselho Permanente da OEA ter anunciado, em Washington, seu apoio à democracia do país e rejeitar "qualquer tentativa de golpe de Estado" ou alteração da ordem constitucional. A resolução da OEA, que tem 34 países, foi emitida no momento que a greve está entrando no 16º dia consecutivo.Ainda ontem à noite, o líder dos grevistas da PDVSA (Petróleos de Venezuela), Juan Fernández, informou que dos 3,29 milhões de barris por dia (mbd) que a Venezuela produz de petróleo, a PDVSA é responsável por 2,85 mbd. O governo venezuelano não se manifestou sobre as declarações do grevista.IroniaVale lembrar que a oposição a Chávez é, gostem ou não, o governo, um grupo social e econômico sólido mas, politicamente fraco devido às ambições e contradições ideológicas de seus líderes. Desse grupo fazem parte social democratas moderados, setores progressistas liberais, uma parte da esquerda que não gosta do presidente e até ultra-conservadores de direita. O único que une todos esses grupos é, ironicamente, Chávez.Por ironia ou em tom de brincadeira, qualquer um poderia dizer aqui na Venezuela que "Chávez é o chefe da oposição", porque é o único fator que mantém esses grupos unidos. Se o presidente cair, começará uma briga tremenda como a de abril deste ano, quando essas facções tentaram dar um golpe de Estado. "A queda do governo de Pedro Carmona, o empresário que acabou ficando no poder menos de 48 horas, não se deve apenas ao levante popular, mas a essa falta de acordo entre esses grupos da oposição e de alguns militares", explicam os analistas políticos independentes no país.Outra ironia é que a cabeça, o líder dessa oposição, embora no anonimato, tem apenas um nome: Gustavo Cisneros, o poderoso e mais rico empresário do país, dono também do Canal 4 de televisão, dizem os analistas. Com apoio dos outras canais de TV privados, Cisneros decide quem são os líderes políticos de oposição que devem aparecer nas telas do canais de TV, é o caso dos militares que se encontram entrincheirados na Praça de Altamíra desde 22 de outubro. "Como o projeto de golpe desses militares de fracassou, a televisão se voltou, agora, a esse grupo de políticos, de empresários e de sindicalistas que querem eleições antecipadas", acrescentam os analistas.Mas, o que o presidente Chávez pode fazer agora, convocar eleições antecipadas?, perguntou a Agência Estado ao professor Samuel Moncada, diretor da Escola de História da Universidade Central de Venezuela (UCV). "O presidente tem uma grande problema pela frente porque esse grupo, que parece não ter força para promover um golpe de Estado, teve força para paralisar parte do país e pedir a desobediência civil, principalmente em seus redutos, como nos municípios de Chacao e Baruta, que parecem repúblicas independentes", disse o professor.Politicamente, acrescentou Moncada, Chávez tem duas opções: primeiro a renúncia, mas existe uma alta probabilidade de ele não fazer isso. Isso ocorreria somente se houvesse um golpe militar, sem essa força, dificilmente ele tomaria essa decisão. "A outra, seria o referendum, que a Constituição permite, pela primeira vez, um plebiscito revogatório, porém, em agosto deste ano. Só que eles querem destruir a legitimidade do governo e antecipar esse plebiscito."Ontem, porém, o comandante em chefe do Exército, general Júlio Garcia Montoya, ofereceu todo seu apoio ao presidente Hugo Chávez e condenou a greve determinada por esses grupos que querem derrubá-lo do poder. "O seqüestro das unidades e instalações que produzem e contêm petróleo e seus derivados é uma agressão contra a sobrevivência do Estado e, portanto, ultrapassa os limites do jogo democrático", advertiu Garcia. Para hoje à tarde, a oposição convocou uma nova concentração no município rico de Altamíra.

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