Saída para crise afasta OEA e fortalece Unasul

O fim da crise entre Colômbia e Venezuela não mexerá só com a agenda bilateral. Para alguns analistas, ela é vista como parte de um rearranjo de forças entre dois organismos que disputam prestígio e influência na América do Sul. De um lado, ganha espaço a jovem União das Nações Sul-Americanas (Unasul), de outro, a centenária Organização dos Estados Americanos (OEA) perde influência. E, com ela, os EUA.

João Paulo Charleaux, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2010 | 00h00

Até o encontro de ontem, em Santa Marta, a Colômbia considerava a Unasul "um foro antiamericano e anticolombiano", diz Andrés Mejía, analista do Instituto de Ciência Política, de Bogotá. Essa percepção foi motivada pelo tratamento inamistoso que o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe recebeu da Unasul até agosto do ano passado, quando a organização criticou duramente um acordo militar entre Washington e Bogotá.

"Santos parece ter superado essa desconfiança e aceitado melhor a mediação da Unasul", diz Mejía. "Um organismo só crescerá na região se o outro diminuir. Há um processo acentuado de descrédito da OEA e, com isso, a Unasul tentará cada vez mais atrair estes conflitos para sua esfera da influência."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.