Saída para crise não é austeridade, mas estímulo, defende Dilma em cúpula

Presidente brasileira voltou a defender modelo brasileiro durante a cúpula ibero-americana, que termina neste sábado em Cádiz, na Espanha.

Liana Aguiar, BBC

17 de novembro de 2012 | 12h21

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, voltou a criticar os planos de austeridade dos países europeus durante discurso neste sábado na 22ª Cúpula Ibero-americana, em Cádiz, na Espanha, e defendeu o modelo brasileiro de combate à crise econômica.

Dilma reconheceu os sacrifícios e a "capacidade de superação" que Portugal e Espanha têm feito para sair da crise, mas declarou que "as políticas exclusivas, que só enfatizam a austeridade, vêm mostrando seus limites".

Dilma afirmou que, apesar do austero corte de gastos, "os dados e as previsões para 2012 e 2013 mostram a elevação dos deficits e a redução dos PIBs" e recomendou que os países superavitários aumentem o investimento, o consumo e importem mais.

"Sem crescimento, será muito difícil o caminho da consolidação fiscal", disse ela durante a sessão plenária com a participação de todos os chefes de Estado presentes na cúpula, no Palácio de Congressos de Cádiz.

Esse também foi o posicionamento manifestado anteriormente por Dilma em recentes encontros internacionais, como a Assembleia Geral da ONU e a reunião anual de cúpula do G20, o grupo das principais economias do planeta.

'Equívoco'

Para a presidente brasileira, "a consolidação fiscal exagerada e simultânea em todos os países não é a melhor resposta à crise mundial" e pode agravar a recessão.

Ela considera que é equívoco achar que as medidas austeras, embora afastem os riscos de quebra financeira, não eliminam as desconfianças dos mercados e das populações.

A presidente explicou aos líderes ibero-americanos que o novo modelo adotado pelo Brasil de estímulo econômico, "sem comprometer a prudência fiscal", e afirmou que o país também foi atingido pela crise mundial devido à redução do mercado internacional.

Ela exemplificou que o Brasil reduziu as cargas tributárias sobre a folha de pagamento e que fez a reforma previdenciária dos servidores públicos.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, disse que considera que Espanha já tomou as medidas suficientes para sanar o déficit e garantiu que a União Europeia não pedirá mais ajustes ao país este ano.

Mudanças

Durante seu discurso, a presidente brasileira recordou que havia outro panorama internacional na primeira cúpula ibero-americana, realizada em 1991 em Guadalajara, no México, e que a América Latina vivia as consequências de sua "crise da dívida" com o FMI.

"Levamos duas décadas de ajuste fiscal rigoroso tentando digerir a crise da dívida soberana e a crise bancária que nos afetava e, por isso, neste período, o Brasil estagnou, deixou de crescer e tornou-se um exemplo de desigualdade social", afirmou.

No entanto, segundo ela, Brasil e América Latina têm dado um bom exemplo de dinamismo econômico, ao implementar "políticas que privilegiaram o crescimento econômico com inclusão social".

Caribe

A presidente Dilma manifestou ainda em seu discurso a solidariedade com as vítimas do terremoto da Guatemala e do furacão Sandy em Cuba, Haiti e República Dominicana.

Dilma e o presidente do Haiti, Michel Martelly, fizeram uma reunião bilateral na sexta-feira.

Eles conversaram sobre temas relacionados à segurança interna no Haiti, cooperação técnica, sobre a possibilidade de construção de uma hidrelétrica no Haiti e esforços para a recuperação de estragos provocados pelo furacão Sandy. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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