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Sakineh agradece oferta de Lula para receber asilo no Brasil

Segundo ONG, iraniana condenada a apedrejamento foi novamente pressionada pelas autoridades

estadão.com.br,

05 de agosto de 2010 | 21h19

SÃO PAULO- A iraniana Sakineh Mohammadi-Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento por adultério e conspirar para matar seu marido, afirmou nesta quinta-feira, 5, que ficou agradecida com a oferta de "asilo humanitário" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e aceita morar no Brasil. As informações são do Comitê Internacional contra o Apedrejamento, que lidera a campanha contra a execução de Sakineh.

 

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Lula ofereceu, na semana passada, a concessão de asilo para Ashtiani, medida descrita pelo Irã como um ato "emocional" em decorrência da falta de conhecimento sobre o caso.

 

Segundo a organização, a mulher de 43 anos foi novamente colocada sob pressão das autoridades, que continuam a questionando sobre como conseguiu contatar a mídia e entidades de direitos humanos sobre o seu caso.

 

Hoje, Sakineh recebeu a visita de seus dois filhos, Sajad Ashtiani, de 22 anos, e Farideh Ashtiani, 19. Segundo Sajad, oficiais o disseram que iria receber novidades sobre o caso de sua mãe ainda hoje.

 

Os filhos de Sakineh revelaram temer que o regime islâmico esteja preparando uma morte rápida para a sua mãe, após o Chefe de Justiça da província do Azerbaijão, onde a iraniana foi condenada, ter afirmado que o homicídio que ela cometeu foi "severo e brutal". O comitê contra a execução por apedrejamento, no entanto, afirma que um homem já foi condenado em 2005 pelo assassinato do marido de Sakineh.

 

"Eu vejo as notícias na TV e os problemas no Paquistão e Afeganistão são de tal forma ligados a minha mãe, e eu ouço a toda hora que minha mãe precisa ser morta porque ela é aparentemente uma mulher sem coração", disse Sajad.

 

Ashtiani foi condenada à morte por apedrejamento depois de ser considerada culpada por adultério em 2006 por um tribunal iraniano, por ter tido um "relacionamento ilícito" com dois homens, segundo a Anistia Internacional.

 

De acordo com a entidade de direitos humanos, ela recebeu 99 chicotadas, mas foi posteriormente acusada de "adultério enquanto estava casada" durante o julgamento do homem acusado de matar seu marido. No mês passado, as autoridades iranianas cancelaram temporariamente a sentença de apedrejamento por causa da condenação do Ocidente sobre o caso.

 

Seu advogado fugiu para a Turquia, onde pediu asilo, depois que a polícia tentou detê-lo no mês passado. A informação foi confirmada pela agência de refugiados da ONU na quarta-feira.

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