Press TV/Reuters
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Sakineh era vítima de violência e abusos do marido, diz advogado

Segundo Mohammad Mostafaei, amigo do marido a teria convencido que era preciso matá-lo

estadão.com.br,

15 de dezembro de 2010 | 16h45

LONDRES - O advogado da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, Mohammad Mostafaei, disse nesta quarta-feira, 15, em uma entrevista ao jornal britânico The Times que sua cliente sofreu durante anos agressões físicas e verbais de seu marido e que um amigo dele a teria convencido a matá-lo. O advogado afirmou também que a justiça iraniana, que condenou Sakineh a morte por adultério e conspiração por homicídio, não leva em conta os atenuantes do crime.

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De acordo com Mostafaei, Sakineh foi obrigada pelo pai a se casar com Ebrahim Ghaderzadeh. Segundo ele, desde o início do casamento ela sofreu com violência doméstica. Ela teve dois filhos com a esperança de amenizar seu comportamento, mas ocorreu o contrário: Ghaderzadeh continuou a abusar dela física e verbalmente.

Ainda segundo o advogado, o marido havia se viciado em heroína e tinha proposto que Sakineh se prostituísse para sustentar o vício. Em 2004, um homem teria estuprado a iraniana em sua casa com a aprovação do marido. Ghaderzadeh também não deixava Sakineh visitar seus parentes e quando ela pediu o divórcio, ele o negou.

A morte do marido

Segundo o advogado, um parente solteiro do marido chamado Issa Taheri aproveitou a situação oferecendo sua simpatia para ganhar o afeto da mulher. Quando Ghaderzadeh proibiu Taheri de pisar em sua casa, ele disse a Sakineh que queria matá-lo.

Mostafaei disse ao Times que a iraniana resistiu, mas Taheri insistiu e a convenceu dizendo que tudo o que tinha que fazer era aplicar uma injeção para que perdesse a consciência. Após aplicar a injeção, Taheri eletrocutou o marido inconsciente, e Sakineh informou as autoridades sobre a morte, mas disse que havia sido um suicídio.

Confissão na TV

Mostafaei, que está na Noruega desde que fugiu do Irã em julho, declarou ao The Times que sua cliente está  em uma situação muito difícil e disse temer que sua execução seja iminente. Para Mostafaei, sua cliente é uma mulher humilde que tinha sofrido muito e que era facilmente manipulável.

 

"Antes de executar alguém, (as autoridades iranianas) mostram-nas na televisão estatal para que falem de seus crimes e condenem a si próprias", explicou Mostafei, em referência ao ocorrido com Sakineh, que teria sido obrigada a recriar o assassinato de seu marido em um documentário para a TV.

As acusações

Sakineh foi condenada em 2006 por manter relações com dois homens após ficar viúva, o que, segundo a lei islâmica, também é considerado adultério. Ela foi condenada a 99 chibatadas. Depois, esta pena foi convertida em morte por apedrejamento.

Em julho deste ano, Mostafei tornou público o caso em um blog na internet, o que chamou a atenção da comunidade internacional. Perseguido pelas autoridades iranianas, ele fugiu para a Turquia, de onde buscou asilo político na Noruega.

A sentença de apedrejamento foi suspensa, mas ainda pode ser retomada pela Justiça. Um tribunal de apelações acrescentou ao caso a acusação de conspiração para o assassinato do marido, da qual ela continua condenada a morte por enforcamento.

 

Com Efe

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