Sakineh sofre tortura psicológica, diz ONG

Carcereiros teriam alertado iraniana sobre execução iminente e sugerido que ela fizesse seu testamento

Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2010 | 00h00

Ativistas e advogados da iraniana Sakineh Ashtiani - condenada à morte "por adultério e participação no assassinato do marido" - acusaram ontem o regime iraniano de torturá-la psicologicamente. No sábado, ela teria sido informada de sua sentença e as autoridades teriam sugerido que a iraniana escrevesse seu testamento.

No domingo, a Justiça iraniana confirmou a pena de morte contra Sakineh por adultério e participação na morte do marido. Mas a execução da sentença foi adiada, pois aguarda uma decisão final da Corte Suprema, sem data para ocorrer.

Mas o Conselho indicou que a decisão de executá-la - seja por apedrejamento ou enforcamento - ainda não havia sido tomada e um eventual cumprimento da sentença de morte somente ocorrerá após o dia 9, quando termina o Ramadã, o mês sagrado dos muçulmanos.

"No sábado, Sakineh foi informada de que seria executada na manhã do dia seguinte", disse Mina Ahani, ativista iraniana que atua na Europa pela libertação de Sakineh. "Ela foi orientada a escrever seu testamento se assim desejasse", contou.

Segundo a ativista iraniana, Sakineh entrou em desespero e de fato escreveu seu testamento e ficou aguardando toda a noite por sua execução.

"Ela esperava o momento em que os policiais a chamariam para ser executada", disse, contando que outras mulheres que também estavam na prisão tentaram acalmá-la.

Prática é comum no Irã

Recentemente, outra iraniana acusada de adultério, Azar Bagheri, foi levada ao local da execução e enterrada para o apedrejamento, mas foi liberada, denunciou a ONG que defende Sakineh

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.