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SalamWeb, navegador com base na lei islâmica, tenta revolucionar a internet

Aplicativo criado com a mesma tecnologia do Google Chrome quer fornecer uma experiência online mais segura, privada e eticamente sensível aos internautas, filtrando conteúdo prejudicial e alertando para sites considerados inadequados

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2019 | 11h12

KUALA LUMPUR - Com um relógio que marca o horário das orações e uma bússola que aponta para Meca, o SalamWeb é o primeiro navegador de web criado com base na lei islâmica (sharia) e pretende promover uma revolução na internet, principalmente para os muçulmanos.

"A Geração M, de jovens muçulmanos com fortes crenças na sua fé e habilidades tecnológicas, está em busca de soluções mais práticas para as suas necessidades", afirmou a diretora-geral da SalamWeb Technologies, Puan Hajjah Hasni Zarina Mohamed Khan, em uma conversa por e-mail.

A empresa, com sede em Kuala Lumpur, na Malásia, enxerga uma enorme oportunidade de crescimento entre os 1,8 bilhão de praticantes do Islã no mundo, aproximadamente 24% da população mundial, além de "potencial para que a tecnologia seja um facilitador na vida de cada muçulmano". 

O navegador para celulares e computadores, lançado no começo do ano, tem uma interface simples na qual o usuário pode acrescentar extensões, todas de acordo com a lei islâmica.

"Foram desenvolvidos padrões específicos para o SalamWeb em consonância com os princípios da sharia", disse a diretora, lembrando que o certificado foi aprovado pelo Conselho Fiscal da Sharia, um grupo formado por eruditos da Arábia Saudita, do Kuwait, do Catar e da Malásia.

Para respeitar estes fundamentos, o programa oferece a possibilidade de filtrar as buscas e permite aos usuários classificar os portais como: apropriados, neutros ou inadequados.

"O SalamWeb foi fundado com o objetivo de proporcionar uma experiência online mais segura, privada e eticamente sensível. Isto significa que o conteúdo prejudicial é filtrado e as visitas a sites pornográficos ou inadequados, por exemplo, são advertidas com um alerta prévio de conteúdo danoso", explicou Puan Hajjah.

Antes de acessar um portal "inadequado", na tela aparece uma mensagem vermelha de advertência para o usuário e as opções: continuar navegando no portal não recomendado ou voltar ao início. Um dos compromissos do navegador, de acordo com os criadores, é combater as notícias falsas através de meios de comunicação confiáveis e com informações personalizadas sobre o que acontece no mundo.

"A tecnologia está em constante mudança e o mundo atual é novo, com desafios e oportunidades desconhecidas", apontou ela.

Com o objetivo de cumprir com o Zakat - o terceiro dos cinco pilares do islã e que diz respeito à responsabilidade social que o muçulmano deve ter com o semelhante -, o navegador tem uma aplicação extra, a SalamSadaqah. A cada busca realizada através do SalamWeb ou relatório de conteúdo feito, a empresa igualará a ação doando um valor a causas beneficentes.

Veja abaixo um vídeo institucional sobre os recursos do SalamWeb:

"A maioria de nós navega diariamente na internet sem pensar como podemos usar esta incrível ferramenta para criar uma experiência maior e mais caridosa", disse Puan Hajjah, que quer empoderar a comunidade global.

O usuário também pode fazer doações diretas a causas como construções de escolas, mesquitas ou casas para muçulmanos, além de apoiar famílias para custear o pagamento de cirurgias.

O navegador, desenvolvido desde 2016 sob o código aberto Chromium, o mesmo usado no Google Chrome, e ao qual é possível acrescentar um programa de mensagens, está disponível em inglês, malaio, indonésio, árabe, búlgaro e bengali. "Embora seja regido pelos princípios islâmicos, qualquer pessoa, sem distinção de idade ou credo pode utilizá-lo", garante a diretora da empresa.

"Os benefícios podem ser colhidos por famílias, pais e educadores que estão preocupados com o acesso dos seus filhos à pornografia, o conteúdo desagradável ou aqueles que buscam uma experiência mais segura, privada e ética na internet", resumiu Puan Hajjah. / EFE

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