Salário dos ministros franceses sobe 60%

A maioria liberal-conservadora na Assembléia Nacional e no Senado francês decidiu aumentar em 60% os salários dos ministros, agora fixados em 13.300 euros, provocando uma forte polêmica no país, apesar da opinião pública estar desmobilizada nesta época do ano, com férias de verão em toda a Europa. Os deputados e senadores escolheram o mês de agosto para aprovar a majoração salarial, utilizando o argumento de que os ministros e secretários de Estado ganhavam menos do que os altos funcionários da República e, mesmo, do que os demais parlamentares. A medida choca ainda mais por seu caráter retroativo, devendo ser aplicada a partir da instalação da nova maioria parlamentar, no inicio do mês de maio. Na véspera da votação, o primeiro ministro Jean Pierre Raffarin havia advertido que essa medida não constituía uma "prioridade" de seu governo, lembrando que a ação governamental não tinha por ambição aumentar os salários dos ministros e acrescentado : "Isso é claro, nítido e preciso". Ora, menos de 24 horas depois a medida foi aprovada pela Assembléia Nacional. Também a própria remuneração do primeiro-ministro foi sensivelmente aumentada, passando para 20.000 euros mensais. Segundo seus porta-vozes, ela se situa, agora, entre as remunerações de seu colegas, o britânico Tony Blair e o alemão Gehard Schroder. Tudo isso ocorreu no dia seguinte em que o governo anunciou uma revisão no orçamento de 2002, cortando despesas e prevendo dias difíceis já a partir da chamada "rentrée" (volta das férias), no mês de setembro. Depois da revisão dos níveis da retomada da economia norte-americana no segundo trimestre, teme-se que o mesmo poderá ocorrer com os índices do crescimento econômico francês - isto é, uma revisão para baixo. O governo inicialmente havia negado a possibilidade de dar um pequeno empurrão nos índices do salário mínimo, esperando uma melhoria da situação econômica, e acabou optando por uma forma pouco transparente e inoportuna para revalorizar a remuneração de seus ministros. Por isso, o ministro dos Negócios Sociais, François Fillon, surpreendentemente prometeu uma revisão das faixas mais baixas do salário mínimo, em 12%, mas a partir de outubro.

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