AP Photo/Fernando Vergara
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Salário mínimo na Venezuela cai para US$ 2 por mês

Com desvalorização anunciada na quinta-feira, valor não é o suficiente para comprar nem um quilo de queijo

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2019 | 16h23

CARACAS  - Ao menos 10 milhões de habitantes da Venezuela terão de viver o mês com o equivalente a menos de R$ 10. Com a mais recente desvalorização do Banco Central Venezuelano (BCV), anunciada na quinta-feira, 28, o salário mínimo no país está cotado em US$ 2, o que não é o suficiente para comprar nem um quilo de queijo. Há um ano, esse valor era de US$ 30. 

Oficialmente o dólar americano vale 20 mil bolívares, e o salário mínimo local é de 40 mil bolívares. No mercado paralelo, a moeda venezuelana é ainda mais desvalorizada, cotada a 26 mil bolívares. 

No último mês, o bolívar perdeu 50% do valor, em um país que vive em hiperinflação há quase dois anos. “O que pode fazer uma família com US$ 2 por mês?”, questionou o líder opositor Juan Guaidó. “Não há serviço de água, nem de luz nem de transporte público.”

Crise tem origem em controle cambiário e inflação

O chavismo responsabiliza a oposição e as sanções americanas pela crise. Apesar dessa retórica, no entanto, o problema  é mais antig e tem raízes no controle de câmbio, na impressão de dinheiro sem lastro e na falta de infraestrutura desde 2013.

Para contornar os efeitos da hiperinflação e da pobreza generalizada, o governo dá bônus mensais de até 100 mil bolívares (US$ 5) , além de cestas básicas importadas de países aliados – que geralmente têm poucas opções de proteína e estão vinculadas à necessidade de apoio político em época eleitoral. 

Segundo a ONU, está em situação de extrema pobreza quem vive com menos de US$1,25 por dia. 

Em média, segundo estimativas de ONGs locais, 80% da população venezuelana come menos hoje do que há cinco anos e cerca de 100 mil pessoas fazem apenas uma refeição por dia. O PIB do país caiu pela metade desde que Nicolás Maduro chegou ao poder, em 2013.

“Estamos como as cabras que comem apenas pasto”, diz Alberto Rodríguez, morador de Caracas. “Os preços sobem todo dia. É uma barbaridade.”

Desvalorização do bolívar cresceu exponencialmente

A desvalorização do bolívar cresceu exponencialmente no ano passado, depois de o governo cortar cinco zeros da moeda. Na época, um dólar valia 638 bolívares. 

O plano de recuperação econômica anunciado por Maduro no ano passado ainda não teve resultados práticos. “É um processo de empobrecimento progressivo”, disse o economista Luis Bárcenas, da consultoria Ecoanalítica. “O principal problema é a resistência do cenário hiperinflacionário, que em 2018 foi de 1,7 milhão por cento.”

Em meio a esse cenário sombrio, as sanções atingiram em cheio a produção de petróleo, que já vinham em queda. Hoje, a Venezuela produz 732 mil barris por dia, 48% a menos do que fazia antes das punições anunciadas pelos EUA. / EFE  e AFP

 

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