Saldo de mortos no Quirguistão pode chegar a 2.000, diz governo

Prática muçulmana de entrerrar mortos pode dificultar a contagem do governo

AP

18 de junho de 2010 | 10h36

OSH - O número de mortos devido aos distúrbios étnicos que sacudiram o sul do Quirguistão poderia chegar a quase 2.000, disse nesta sexta-feira, 18, a presidente interina do país enquanto realizava sua primeira visita a um povoado seriamente afetado pelos conflitos.

 

As cifras do Ministério da Saúde do Quirguistão apontaram que o número de falecidos em conflitos organizados sobretudo por grupos quirguizes chegam a 191.

 

"Eu aumentaria dez vezes os números oficiais de mortos", disse a presidente interina Roza Otunbayeva, segundo seu porta-voz Farid Niyazov. A mandatária apontou que as cifras atuais não levam em conta aqueles enterrados no mesmo dia em que morreram, tal como indicam as tradições muçulmanas locais, disse o oficial.

 

Por outro lado, as Nações Unidas anunciaram que um milhão de pessoas poderiam precisar de ajuda no país.

 

As agências de ajuda da ONU e a Organização Mundial da Saúde anunciaram que a cifra de um milhão de pessoas no Quirguistão e Usbequistão inclui um potencial número de refugiados, deslocados internos e outros que sofreram de uma forma ou outra com os distúrbios.

 

Christiane Berthiaume, porta-voz de UNICEF, disse que o número é uma estimativa para ajudar as agências a planejar a quantidade de ajudar necessária para preparar. Indicou que o número de pessoas que necessita de ajuda poderia ser mais alto ou mais baixo que um milhão.

 

Centenas de milhares de usbeques fugiram da zona afetada pelos conflitos.

 

O vice-secretário de Estado americano, Robert Blake, visitou nesta sexta-feira um campo de refugiados no Usbequistão, a uns cinco quilômetros da fronteira com o Quirguistão. Pediu uma investigação dos episódios de violência e disse que estava trabalhando para que os refugiados regressem as suas casas de forma segura.

 

Otumbayeva chegou na sexta-feira de helicóptero à praça central de Osh, uma cidade de 250.000 habitantes. Várias parte da cidade foram destruídas por grupos de homens quirguizes que queimaram casas de usbeques e atacaram seus negócios em episódios de violência que começaram no final da semana passada.

 

"Temos que dar esperança para restaurar a cidade, para que regressem todos os refugiados e criar todas as condições para isso", indicou.

 

Insistiu que a boa vontade entre quirguizes e usbeques poria fim às hostilidades.

 

A ONU calcula que 400.000 personas fugiram do sul do país depois que quirguizes mataram centenas de usbeques.

 

Até 100.000 pessoas cruzaram a fronteira com o Usbequistão, onde recebem alimentos e água em campos de refugiados. Outras centenas de pessoas permanecem acampadas no lado quirguiz da fronteira, já que não lhes foi permitido cruzar.

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