Saleh anuncia planos de deixar Iêmen e ir para os EUA

O contestado presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, disse a jornalistas neste sábado que pretende viajar para os Estados Unidos nos próximos dias com o objetivo de criar condições para uma prometida transição de poder no país árabe.

AE, Agência Estado

24 de dezembro de 2011 | 18h51

"Viajarei para os Estados Unidos nos próximos dias, não para tratamento médico, pois estou bem de saúde, mas para criar condições favoráveis para as eleições presidenciais" marcadas para 21 de fevereiro, disse ele durante entrevista coletiva concedida em Sanaa, a capital iemenita.

Há mais de três décadas no poder, Saleh já havia prometido em diversas ocasiões, nos últimos meses, permitir o andamento de uma transição no país. O anúncio de hoje, porém, foi feito horas depois de forças de segurança comandadas por um filho e um sobrinho de Saleh terem aberto fogo contra um protesto que reunia mais de 100.000 manifestantes.

Pelo menos nove pessoas morreram e dezenas ficaram feridas na repressão ao protesto de hoje, depois que a poderosa guarda republicana do Iêmen abriu fogo com armas, gás lacrimogêneo e canhões de água neste sábado contra uma marcha de mais de 100 mil manifestantes que exigiam que o presidente iemenita que está deixando o poder seja posto em julgamento.

Os manifestantes foram atacados quando entravam na capital Sanaa depois de marcharem por quatro dias desde Taiz, uma cidade que tem sido o polo de maior oposição e que fica situada a 270 quilômetros ao Sul. O primeiro protesto deste tipo foi chamado de Marcha da Vida e tinha como objetivo colocar pressão sobre o novo governo iemenita para não conceder imunidade ao presidente Ali Abdullah Saleh de ser processado.

A violência põe em relevo a contínua turbulência no Iêmen mesmo depois de Saleh ter assinado no mês passado um acordo, patrocinado pelos Estados Unidos e pela Arábia Saudita, pelo qual ele entregaria o poder ao seu vice-presidente e se comprometeria a renunciar completamente em troca de imunidade.

Os manifestantes, que vêm protestando aos milhares nos últimos nove meses, rejeitaram esse acordo, exigindo que Saleh seja julgado pela reação violenta que adotou contra os movimento de manifestação.

Segundo testemunhas, as marchas no sábado foram recebidas na entrada sul de Sanaa pelas forças da Guarda Republicana, a qual é comandada pelo filho de Saleh, e pelas forças da Segurança Central, lideradas pelo sobrinho de Saleh, com apoio de tanques. Os disparos das tropas dispersaram a multidão, que respondeu atirando pedras.

Os manifestantes feridos foram levados por motocicletas para as clínicas próximas, de acordo com o ativista Samer al-Makhalafi. Barulho de balas e de gás lacrimogêneo ainda pode ser ouvido à distância.

Os protestos ocorreram quando o parlamento iemenita se reuniu sábado pela primeira vez desde que a oposição e os legisladores independentes suspenderam seus trabalhos em março como protesto pela reação violenta contra os manifestantes. Os parlamentares iriam discutir o programa para o novo governo de unidade nacional, liderado pelo veterano político independente Mohammed Basindwa. As informações são da Associated Press.

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