Saleh diz que só sairá no fim do ano e irrita oposição no Iêmen

Na província de Abyan, no sul do país, radicais islâmicos tomam prédio do governo e fábrica de armas

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2011 | 00h00

Em meio a uma onda de protestos contra o seu regime, o presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, disse ontem que só deixará o poder no fim do ano. A decisão irritou os opositores, que exigem a sua renúncia já. Durante o fim de semana, fontes do próprio governo disseram que a saída imediata do líder estava em negociação.

Em ações não relacionadas com as manifestações opositoras em Sanaa, radicais islâmicos tomaram um prédio do governo e uma fábrica de armas na província de Abyan, no sul do Iêmen. Esta região já era pouco controlada pelo regime mesmo antes do início dos levantes. Em outra operação, supostos membros da Al-Qaeda atacaram tropas iemenitas na província de Marib, no centro do país. Nas últimas semanas, militares do alto escalão e autoridades políticas romperam com o governo do Iêmen, no poder há mais de 32 anos.

Membros do partido de Saleh recomendaram a formação de um novo governo para elaborar uma nova Constituição em acordo com o sistema parlamentar proposto nas reformas anunciadas pelo líder iemenita. Esta é a oferta do governo para conter os protestos da oposição.

Os Estados Unidos observam com atenção o cenário no Iêmen. Apesar de não concordarem com a repressão à oposição por parte de Saleh, o governo do presidente Barack Obama teme que o fim do regime provoque um caos ainda maior no país. Atualmente, o braço da Al-Qaeda na Península Arábica transformou o território iemenita em um dos polos para ações terroristas ao redor do mundo.

"Temos muita cooperação contra terrorismo com o presidente Saleh e as forças de segurança iemenitas. Portanto, se o governo cair e for substituído por um mais fraco, enfrentaremos desafios adicionais no Iêmen", disse o secretário da Defesa dos EUA, Robert Gates.

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