Hani Mohammed / AP - 22.01.2012
Hani Mohammed / AP - 22.01.2012

Saleh faz discurso de despedida, mas promete voltar

Presidente do Iêmen pede desculpas e diz que é hora de sair, diz autoridade do país

AE, Agência Estado

22 de janeiro de 2012 | 17h33

Um autoridade do Iêmen afirmou neste domingo que o presidente Ali Abdullah Saleh apresentou um discurso de despedida, pedindo desculpas pelos erros e dizendo que chegou a hora de entregar o poder e sair. A autoridade, que não quis ser identificada, disse que Saleh reuniu os mais importantes políticos, militares e oficiais de segurança do país e anunciou a promoção do vice-presidente Abed Rabbo Mansour Hadi ao nível de marechal. Saleh disse que parte para tratamento médico nos Estados Unidos, mas que depois voltará ao Iêmen, antes das eleições presidenciais, marcadas para fevereiro, com o objetivo de comandar o seu partido.

Ontem, a coalizão de governo aprovou uma lei que garante a imunidade a Saleh, não apenas em relação à repressão desfechada contra os manifestantes no ano passado, como também a atos cometidos nos 33 anos em que governou o Iêmen. Um assessor de Saleh disse que um avião levou o mandatário embora de Sanaa neste domingo e viajou para Omã. O governo dos EUA não confirmou a partida de Saleh.

"Peço que vocês perdoem os meus erros do passado", teria dito o presidente no discurso, segundo a autoridade. "Hoje, deixo o país em suas mãos", acrescentou a fonte, que estava entre os presentes no encontro realizado hoje. Em novembro, Saleh assinou um acordo de transferência de poder, mas vem se recusando a entregar o cargo.

Repressão. Grupos de defesa dos direitos humanos estimam que mais de mil pessoas, a maioria opositores, foram mortas pelas forças do governo de Saleh desde que a revolta tomou conta do país árabe, em janeiro de 2011. Centenas de manifestantes, incluindo mulheres e crianças, foram mortos a tiros pela polícia e por franco-atiradores nas ruas. Saleh, que governa o país há pouco mais de três décadas, sofreu um atentado a bomba em meados do ano passado, que o forçou a buscar tratamento médico na Arábia Saudita. No acordo mediado pelo rei da Arábia, Abdullah, pelos países do Golfo Pérsico e pelos EUA, ele se comprometeu em novembro a deixar o cargo.

O vice-presidente iemenita Mansour Hadi, que passou a ocupar o cargo de mandatário, deverá liderar o país nas eleições presidenciais de 21 de fevereiro. Durante semanas, a diplomacia americana tentou encontrar um país que concordasse em receber Saleh em exílio, onde ele poderia viver pacificamente, o que facilitaria uma transição de poderes menos turbulenta no Iêmen. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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