Saleh retorna ao Iêmen e pede trégua com oposição

Manifestantes dizem que volta de ditador pode acirrar choques que em 6 dias deixaram 100 mortos; EUA pedem transição

SANAA, O Estado de S.Paulo

24 Setembro 2011 | 03h06

O ditador do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, retornou ontem ao país após três meses na Arábia Saudita, onde recebeu tratamento médico depois de sofrer uma tentativa de assassinato em junho. Ele pediu o fim da violência - que, desde domingo, deixou mais de cem mortos - e negociações com a oposição. Mas manifestantes dizem que o retorno dele pode agravar a situação e levar o país a uma guerra civil.

Após a volta de Saleh, os confrontos em Sanaa e outras cidades prosseguiram. Tropas de elite do Exército atacaram uma tribo opositora e uma brigada desertora, matando ao menos 18 pessoas. Dois manifestantes morreram na capital.

"A solução não será por meio de canhões, mas pelo diálogo, para pôr um fim ao derramamento de sangue", disse Saleh em comunicado divulgado pela TV estatal. "Volto com a pomba da paz ." Ele não apareceu em público e seus aliados descartaram a possibilidade de que ele deixe o poder.

Para os dissidentes, a chegada do ditador levará a mais divisões e ao confronto. "Estamos à beira de um aumento crítico da violência", declarou o líder oposicionista Abdel-Hadi al-Azazi.

Os EUA pediram a Saleh que inicie imediatamente o processo de transição. "Exortamos o presidente Saleh a organizar eleições até o fim do ano", disse o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney. "É a melhor maneira de impedir o derramamento de sangue." / AP

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