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Saleh será tratado em Nova York, afirma ONU

Ditador do Iêmen teria manifestado desejo de se internar em hospital dos EUA

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2011 | 03h08

NOVA YORK - Depois de assinar um acordo na Arábia Saudita para transferir o poder no Iêmen durante uma transição para encerrar uma crise que já dura mais de dez meses, Abdullah Saleh deve viajar para Nova York, onde se tratará de ferimentos, segundo afirmou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

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"Saleh disse que virá a Nova York para tratamentos médicos imediatamente depois de assinar o acordo. Se ele vier mesmo, terei prazer em encontrá-lo", afirmou o secretário das Nações Unidas na sede da entidade em Nova York, citando uma conversa por telefone que teve com o iemenita.

O governo do Iêmen não confirmou a informação sobre a possível internação em Nova York. O líder iemenita sofreu queimaduras graves no corpo em junho durante um ataque contra seu palácio na capital, Sanaa.

Na época, ele decidiu se tratar na Arábia Saudita por três meses, antes de retornar a seu país, contrariando recomendações dos médicos e advertências da monarquia saudita.

Apesar da afirmação de Ban, ainda não estava claro ontem se Saleh pediria asilo político nos Estados Unidos ou apenas passaria no país tempo suficiente para o tratamento. O governo americano apenas saudou o acordo em Riad e não comentou a possibilidade de ele permanecer em Nova York. Nos últimos anos, o líder iemenita era um aliado importante de Washington no combate à Al-Qaeda na Península Arábica e mantém boas relações com as autoridades do país.

Além dos EUA, Saleh certamente seria bem recebido nas nações do Golfo Pérsico, das quais já recebeu ofertas de asilo no passado. Zine al-Abidine Ben Ali, da Tunísia, deposto no início deste ano, está vivendo na Arábia Saudita. Hosni Mubarak está preso no Egito e Muamar Kadafi foi morto.

Com a viagem a Nova York, Saleh repetiria o trajeto de outros líderes árabes que buscam tratamento médico nos Estados Unidos, como o rei Hussein, da Jordânia, e, mais recentemente, o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Sultan Bin Abdulaziz al-Saud, que morreu no Columbia Presbytherian, considerado um dos melhores hospitais de Nova York.

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