Saleh volta ao Iêmen e combates deixam 18 mortos

O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, pediu em seu retorno a Sanaa, nesta sexta-feira, após uma ausência de três meses, uma trégua e diálogos para encerrar a crise política no país, disse um funcionário da presidência. O pedido de Saleh, contudo, foi rechaçado pelo menos por parte da oposição iemenita, que deseja o fim do regime de 33 anos do autoritário governante. Combates entre tropas leais a Saleh e a influente tribo Al-Ahmar tomaram conta do bairro de Al-Hasaba, no norte de Sanaa. Segundo a oposição pelo menos 18 pessoas foram mortas e 56 ficaram feridas nos confrontos.

AE, Agência Estado

23 Setembro 2011 | 18h05

"O presidente Saleh pede a todas as partes políticas e militares que cheguem a uma trégua e um cessar-fogo", disse mais cedo o funcionário. Para Saleh, "não há alternativa ao diálogo e às negociações para acabar com o derramamento de sangue e resolver a crise".

Os opositores de Saleh, tanto famílias beduínas quanto grupos políticos e militares amotinados, rejeitaram o pedido de trégua e diálogo. No Boulevard 60, uma avenida de Sanaa, a oposição fez um protesto, com manifestantes carregando fotos de pessoas mortas pelo governo e gritando "o povo quer julgar o carniceiro (Saleh)".

Saleh estava havia três meses internado na Arábia Saudita, onde foi se tratar de ferimentos recebidos após a explosão de uma bomba colocada em uma mesquita existente no interior do palácio presidencial.

Saleh, que desde janeiro enfrenta grandes protestos de populares nas ruas, exigindo sua renúncia, foi hospitalizado em Riad no dia 4 de junho, um dia após o ataque. O retorno do presidente a Sanaa ocorre num momento em que a violência assola a capital do país, com pelo menos 100 pessoas mortas em confrontos desde domingo passado entre homens ligados ao líder tribal Sadek al-Ahmar, que faz oposição ao regime, e os partidários de uma autoridade tribal ligada ao presidente Saleh, Saghir ben Aziz.

"Dezoito pessoas foram mortas e 56 feridas" na luta no bairro de Al-Hasaba, informou o website de notícias Al-Sahwa.net, do principal partido islamita do Iêmen, o al Islah (reforma), o qual é comandando pelo empresário Hamid al-Ahmar. Os beduínos que lutam contra Saleh são partidários do xeque Sadiq al-Ahmar, irmão do empresário Hamid. Segundo o Al-Sahwa.net, tropas de Saleh bombardearam o complexo residencial e administrativo da família al-Ahmar.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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