Salvadorenha ilegal aguarda filha nos EUA

Apesar da crise da imigração, a mãe de uma menina de 6 anos que trabalha como faxineira em Maryland tem esperança de continuar no país

Fernanda Simas, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2014 | 02h00

A crise envolvendo a imigração ilegal de crianças desacompanhadas aos Estados Unidos faz parte de várias gerações da família de María (nome fictício), uma salvadorenha de 26 anos que vive em Maryland e espera a chegada de sua filha, de 6.

Quando María tinha 2 anos, a mãe dela, na época uma adolescente de 17, deixou El Salvador em direção aos EUA para tentar melhorar de vida - e não voltou. "Ela conseguiu um Temporary Protection Status (TPS, na sigla em inglês, benefício do governo americano para ilegais que impede a deportação e permite que a pessoa tenha um trabalho temporário) e agora tem mais dois filhos americanos", relatou María ao Estado.

Há dois anos, María decidiu deixar San Salvador porque não conseguia emprego e queria dar uma vida melhor para a filha. Então, decidiu imigrar ilegalmente aos EUA. "Minha mãe precisou pagar um 'coiote' (traficantes de pessoas). Cruzei a Guatemala e todo o México. Algumas pessoas nos escondiam em casa e, às vezes, nos davam comida uma ou duas vezes ao dia", lembrou a salvadorenha, que fez a travessia até os EUA em 22 dias.

María afirmou que era preciso levar dinheiro extra na viagem, porque os coiotes sempre pediam mais para esconder as pessoas de policiais. "Viajávamos em ônibus e, às vezes, nos barravam e tínhamos de caminhar por horas. Escondiam-nos dos policiais com peles."

Chegar aos EUA não significou a realização imediata do sonho de viver melhor. "Cruzei o rio em um bote e fui enviada para os responsáveis da imigração. Estive em quatro tipos de prisão. Depois, fiquei em uma espécie de albergue onde recebia comida e podia ver filmes. Antes, era tratada como prisioneira, mas depois a situação melhorou",disse.

A mãe de María contratou uma advogada para localizar a filha. "A advogada conseguiu fazer um acordo e eu vim para cá", disse. Hoje, María vive com a mãe e trabalha fazendo faxina.

Nos EUA, a salvadorenha consegue trabalhar, pagar os impostos e juntar dinheiro, enviando parte do que ganha para a filha e a avó. Mas agora María vive a agonia de não saber o que vai acontecer durante a travessia da filha. Há mais de uma semana, a garota deixou El Salvador com uma tia de 23 anos. "Disseram que vão me entregar minha filha por ser menor, só preciso provar que sou mãe dela. Com minha irmã não sei o que vai acontecer." María disse que decidiu tirar a menina de El Salvador por medo das ameaças. "Existe uma gangue lá que pede dinheiro todo mês, mais ou menos US$ 50. Temos de pagar ou eles nos ameaçam."

A salvadorenha não conhece os detalhes da lei imigratória dos EUA nem as propostas em razão do aumento de crianças ilegais no país, mas tem esperança de que o presidente Barack Obama a ajude. "Ouvi que quem tem o TPS poderá ficar nos EUA. E quem não tem documento poderá pedir o TPS. Gostaria de ficar aqui."

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