Kostas Tsironis/AP
Kostas Tsironis/AP

Samaras realiza desejo antigo e assume chefia de governo da Grécia

Conservador venceu eleições, após acordo com social-democratas e centro-esquerdistas

Efe,

20 de junho de 2012 | 13h54

ATENAS -  O conservador Antonis Samaras, que tomou posse nesta quarta-feira, 20, como primeiro-ministro da Grécia, finalmente chegou à chefia do Executivo depois que seu partido Nova Democracia (ND) venceu as eleições do último domingo, embora para isso tenha tido que fechar um acordo de governo com social-democratas e centro-esquerdistas.

Veja também:

linkSocialistas gregos dizem que governo do país está formado

linkLíder conservador dirá ao presidente da Grécia que tem governo

linkEsquerda Democrática apoiará governo de coalizão na Grécia

Político de tendência nacionalista e grande ambição pessoal, Samaras se destacou por suas mudanças de posturas e agora defende a política de austeridade imposta pela União Europeia (UE), após rejeitá-la quando liderava a oposição.

A ambição que sempre lhe caracterizou se evidenciou tanto nas lutas internas pela liderança de seu partido nos anos 1990 como em seu desejo de chegar a ser primeiro-ministro, depois que o ND venceu pela vantagem mínima as eleições de maio e os gregos tiveram que voltar às urnas um mês depois.

Nascido em 1951 em Atenas, este descendente de uma família de ricos comerciantes e políticos estudou Economia no prestigiado Amherst College de Massachussets, onde curiosamente dividiu quarto com aquele que depois seria seu rival político, o socialista Giorgos Papandreou. Também estudou Administração de Empresas em Harvard e, em 1977, um ano após formar-se nessa universidade, foi eleito deputado do Parlamento grego pelo ND.

Casado e com dois filhos, Samaras fala inglês, francês e italiano. Em 1989 foi nomeado ministro das Finanças e, pouco depois, de Relações Exteriores. Suas posturas nacionalistas ficaram manifestadas por ocasião da disputa pelo nome da vizinha república ex-iugoslava da Macedônia, e seu desafio a Konstantinos Mitsotakis, histórico líder do ND, o deixou fora do partido em 1992. Isso o levou a formar seu próprio partido, Primavera Política, um projeto que fracassou e que o próprio Samaras dissolveu em 2004, para retornar às fileiras conservadoras.

Quando nas eleições de 2009 o ND colheu os piores resultados de sua história até então (33%) e Mitsotakis renunciou, Samaras conseguiu vencer na disputa pela chefia do partido a filha do antigo líder, Dora Bakoyannis, que também formou seu próprio partido após sua derrota.

Nas eleições do último dia 6 de maio, o ND foi a força mais votada, mas com um novo mínimo de apoios, 18,8% dos sufrágios, o que contribuiu para a fragmentação do Parlamento, impediu a formação de governo e obrigou a convocação de novos pleitos.

Dessa vez Samaras ganhou as eleições com um maior apoio, cerca de 30% dos votos, frente à formação esquerdista Syriza, e agora forma governo junto com os social-democratas do Pasok e os centro-esquerdistas do Dimar. Para enfrentar o Syriza, Samaras realizou na campanha uma chamada à unidade de todas as forças da direita, o que fez com que Bakoyannis e sua extra-parlamentar Aliança Democrática se reconciliassem com o ND.

Na campanha, Samaras prometeu baixar os impostos e aumentar as ajudas sociais, além de suavizar as novas medidas de austeridade exigidas por Bruxelas como condição para manter a entrega de ajuda financeira.

A postura de Samaras em relação aos dois memorandos de austeridade assinados pela Grécia com a UE mudou com o tempo: ao primeiro plano de resgate, assinado em 2010, se opôs veementemente e expulsou os deputados de seu partido que o apoiaram.

Sobre o segundo, assinado em 2012, mostrou profundas reservas e não quis que nenhum filiado do ND participasse do governo de coalizão dirigido pelo ex-vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Lucas Papademos, para não desgastar-se antes das eleições.

Mesmo assim, dada a insistência de Bruxelas, assinou um documento no qual se comprometia a respeitar o memorando, para depois pedir sua renegociação. Sua última declaração a esse respeito é que aquele documento não foi um compromisso para respeitar o memorando, mas para "mudá-lo".

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.