Samuel Guimarães queixa-se de pouco apoio e deixa cargo no bloco

Demissão causa rumores de divergências entre embaixador e representantes que suspenderam o Paraguai

MENDOZA, ARGENTINA, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2012 | 03h02

O embaixador Samuel Pinheiro Guimarães anunciou ontem, durante reunião dos chanceleres do Mercosul, a sua decisão de deixar o cargo de Alto-Representante-Geral do bloco, que ocupava desde janeiro de 2011.

O anúncio já era de conhecimento do governo brasileiro, mas causou surpresa entre os países-membros. O delicado momento escolhido por Samuel, quando os países do bloco estão em pleno processo de aplicação de sanção ao Paraguai, causou desconforto ao Brasil.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, disse ao Estado que lamenta a decisão de Samuel de demitir-se do cargo. "Tentei convencê-lo a não renunciar", acrescentou. O Brasil não abrirá mão do posto.

O governo brasileiro vai escolher um outro nome para o lugar de Samuel, a fim de completar o mandato de três anos, que termina em 2014. O nome do substituto, no entanto, ainda está em discussão.

Desgaste. "Estou renunciando ao cargo", disse o diplomata. Segundo ele, não recebeu apoio político para desempenhar suas tarefas. Além de anunciar sua saída, Samuel entregou uma carta ao chanceler da Argentina, Héctor Timerman, cujo país estava na presidência do bloco, listando as razões para sua saída.

Pinheiro Guimarães revelou a alguns diplomatas que o consultaram que sua decisão nada tinha a ver com a sanção de suspensão ao Paraguai ou qualquer retaliação por causa do afastamento de Fernando Lugo.

Mas havia especulações no meio diplomático dos países do bloco de que ele teria divergências em relação às decisões tomadas a partir da destituição do presidente.

Ao Itamaraty, o diplomata disse que estava desestimulado e que queria sair para cuidar de questões pessoais. Revelou, no entanto, que esperaria o final da gestão da Argentina e entrada do Brasil na presidência do bloco, para deixar o cargo.

Fontes diplomáticas dos países-membros revelaram que também Samuel Pinheiro perdeu apoio dos países, especialmente do Brasil, para cumprir com seu mandato. De acordo com essas fontes, ele não conseguiu aprovar o orçamento para a Secretaria, mesmo depois de um ano no cargo.

O Itamaraty confirmou ontem, durante a cúpula do Mercosul, em Mendoza, na Argentina, a renúncia do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães do cargo de Alto-Representante-Geral do Mercosul, que ocupava desde janeiro de 2010.

O cargo que era ocupado por Samuel foi criado na Cúpula de Foz do Iguaçu, em 16 de dezembro de 2010, substituindo o antigo posto de secretário-geral, que havia sido ocupado pelo argentino Carlos "Chacho" Álvarez. / T.M. e M.G.

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