Sanções a Teerã punem americanos

Nos EUA, pessoas pagam mais por gasolina

O Estado de S.Paulo

02 de março de 2012 | 03h04

Elaboradas para prejudicar as finanças do governo iraniano e forçar o país a rever seu programa nuclear, as sanções impostas pelo Ocidente contra o regime de Teerã têm posto em dificuldades também os cidadãos de onde partiram as medidas: a vida dos americanos está mais cara após a aplicação das mais recentes ações de Washington e União Europeia (progressivamente, no caso europeu) contra o Irã.

Os motoristas dos EUA estão sofrendo com a elevação do preço da gasolina provocada pela recente alta do petróleo - a maior dos últimos nove meses -, que, por sua vez, é influenciada pelo cerco ocidental à economia iraniana.

Nesta semana, os americanos que abasteceram seus carros encontraram nas bombas um preço 10% mais alto do que o registrado no mesmo período do ano passado. Segundo os dados do Departamento de Energia do país, esta é a maior alta da gasolina nos EUA desde 1973, quando o organismo iniciou seu levantamento.

Após as mais recentes sanções impostas pelos EUA e gradativamente aplicadas pelo bloco europeu, o preço do petróleo já subiu 13%. Um dos grandes beneficiados com essa alta é, ironicamente, o governo do Irã, de acordo com a Mirae Asset Securities, considerada a mais precisa entre 26 firmas de análise do mercado futuro de Nova York acompanhadas pela Bloomberg no período de dois anos encerrado em junho de 2011.

A empresa afirma que o Irã - segundo maior produtor do insumo, entre os países-membros da Opep - tem obtido um lucro 20% maior com sua exportação de petróleo após essa alta. Ganhos que fizeram da gasolina a segunda commodity mais lucrativa este ano evidenciam o desafio que o presidente Barack Obama enfrenta para dificultar o programa atômico iraniano enquanto tenta diminuir as consequências das sanções nos bolsos dos motoristas (e eleitores) americanos.

"O Irã está explorando inteligentemente a alta demanda do inverno (no Hemisfério Norte) por petróleo e a retórica do medo na geopolítica para aumentar sua receita com o petróleo", afirmou Gordon Kwan, administrador regional de pesquisa de energia da Mirae em Hong Kong. "Não há possibilidade de outros países aumentarem suas produções para compensar a ausência do petróleo iraniano."

O preço médio do insumo aumentou 15% no Irã desde 30 de dezembro, segundo cotações compiladas pela Bloomberg até o dia 27. Após a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) anunciar o "fracasso" de sua inspeção às instalações nucleares do Irã, no dia 21, o valor do barril do tipo Brent ultrapassou os US$ 125.

"Consideramos que as sanções da UE não funcionarão efetivamente", disse Kwan, afirmando que, no caso de um conflito no Irã, o preço do barril poderá ultrapassar os US$ 200. / BLOOMBERG

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