Sanções afetarão fim de programa nuclear, diz Coreia do Norte

Pyongyang ameaça boicotar negociação se ONU colocar restrições ao país por lançamento de suposto satélite

Agências internacionais,

24 de março de 2009 | 08h16

A Coreia do Norte ameaçou nesta terça-feira, 24, boicotar as negociações multilaterais sobre seu desmantelamento nuclear se a ONU impuser sanções devido ao previsto lançamento de um satélite de comunicações, informou a agência sul-coreana Yonhap. Um comunicado do Ministério de Exteriores norte-coreano qualificou de "atividade hostil" uma eventual imposição de sanções por parte do Conselho de Segurança das Nações Unidas, com base em que Pyongyang teria violado a resolução 1.718.

 

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A Coreia do Sul, o Japão e os Estados Unidos, que formam as negociações multilaterais com a Rússia, a China e a Coreia do Norte, avisaram que o previsto lançamento de um satélite por Pyongyang, previsto para entre 4 e 8 de abril, poderia gerar sanções da ONU. A resolução 1.718 do Conselho de Segurança, aprovada após o teste nuclear da Coreia do Norte em outubro de 2006, determina que esse país suspenda as atividades relacionadas a seu programa de mísseis balísticos.

 

"Trataria-se de uma violação da declaração conjunta de 19 de setembro (de 2005) por parte do próprio Conselho de Segurança", afirmou o regime norte-coreano, em referência ao acordo pelo qual aceitou abandonar seu programa de armas nucleares em troca de garantias de segurança e de ajuda econômica.

 

O regime comunista anunciou recentemente que lançará um satélite de comunicações no início de abril, mas especialistas sul-coreanos acham que poderia ser um míssil de longo alcance. Japão, Coreia do Sul e EUA acham que um eventual lançamento norte-coreano, seja de um míssil ou de um satélite, violaria a resolução da ONU, pois a tecnologia necessária para ambos os casos é muito similar.

 

Enviados dos EUA, do Japão e da Coreia do Sul planejam se reunir em Washington na sexta-feira para discutir como lidar com o lançamento previsto de um foguete pela Coreia do Norte. A informação foi dada pela agência de notícias japonesa Kyodo, que não citou fontes. Os três enviados são os negociadores-chefes de seus respectivos países nas conversas em torno da desativação do programa nuclear da Coreia do Norte.  A reunião de sexta-feira, segundo a Kyodo, aparentemente pretende mostrar uma posição unificada sobre o lançamento do foguete, que alguns acreditam ser o disfarce para o teste de um míssil de longo alcance.

 

Separadamente, o negociador-chefe da Coreia do Sul afirmou nesta terça-feira que discutirá com seu colega chinês a elaboração de planos de contingência para o caso do lançamento de um míssil pela Coreia do Norte, informou a agência sul-coreana Yonhap. "Serão discutidas basicamente as medidas antes e depois que a Coreia do Norte disparar um míssil", disse Wi Sung-lac, antes de voar para Pequim a fim de se encontrar com o vice-ministro de Relações Exteriores da China, Wu Dawei.

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