AFP via KCNA
AFP via KCNA

Sanções contra Coreia do Norte podem piorar direitos humanos no país

Envios de medicamentos para pacientes com câncer e de cadeiras de rodas foram bloqueados; 41% da população do país está subnutrida, indica documento

O Estado de S.Paulo

26 Outubro 2017 | 18h11

NAÇÕES UNIDAS - As três recentes séries de sanções tomadas pelas Nações Unidas contra Pyongyang por seus testes nucleares e de mísseis podem piorar a situação humanitária na Coreia do Norte, disse nesta quinta-feira, 26, um especialista independente e relator especial da ONU para os direitos humanos no país.

+ EUA e Coreia do Norte parabenizam presidente da China por novo governo

Tomás Quintana afirmou no Comitê de Direitos Humanos da Assembleia Geral que os envios para a Coreia do Norte de medicamentos para pacientes com câncer e de cadeiras de rodas e outros equipamentos para pessoas portadoras de deficiências foram bloqueados, provavelmente como resultado das sanções.

Trabalhadores de ajuda humanitária na Coreia do Norte enfrentam atualmente obstáculos maiores para obter mantimentos e realizar transações financeiras devido às sanções, acrescentou.

+ Ameaça de teste nuclear sobre Oceano Pacífico deve ser interpretada de forma literal, diz Pyongyang

"Estou preocupado pela possibilidade de que essas sanções tenham um impacto negativo sobre setores vitais da economia e portanto uma consequência direta no respeito aos direitos humanos", disse o diplomata argentino. 

Sanções. O Conselho de Segurança proibiu as exportações de carvão, ferro, chumbo, têxteis e mariscos pela Coreia do Norte e sancionou um conjunto de empresas do país por causa dos testes nucleares e balísticos realizados pelo governo de Kim Jong-un.

O objetivo é "asfixiar" financeiramente os programas militares de Pyongyang, mas segundo Quintana elas podem ter consequências negativas sobre os cidadãos norte-coreanos. 

+ Coreia do Norte alerta países: não se juntem a ações dos EUA e estarão a salvo

"A história nos mostra que as sanções podem ter um impacto devastador sobre a população civil", disse o diplomata, pedindo que elas sejam reconsideradas para que "não se tornem um castigo coletivo aos cidadãos".

Em um documento levado ao Comitê, Quintana afirma que 41% da população da Coreia do Norte está subnutrida e que a escassez crônica de alimentos foi agravada por inundações e secas. 

Ainda de acordo com esse documento, quase um terço dos norte-coreanos com menos de 5 anos têm déficit de crescimento, em um aumento significativo em relação a 2014. Cerca de 18 milhões de pessoas, 70% da população, dependem de ajuda humanitária para viver. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.