Sanções contra o Irã não devem incluir uso da força, diz Rússia

O ministro do Exterior da Rússia enfatizou nesta quarta-feira que as sanções a serem impostas pela comunidade internacional contra o Irã não devem incluir o uso de força militar, segundo agência de notícias russa. Sergey Lavrov disse que a decisão russa em apoiar a punição do Irã seria "guiada por apenas um ponto - prevenir a proliferação de armas de destruição em massa", segundo a agência ITAR-Tass. Lavrov disse que a resolução recente do Conselho de Segurança da ONU possibilita outras medidas, incluindo as descritas no artigo 41 do documento da ONU. O artigo permite punições que não envolvem o uso de força armada, assim como penalidades econômicas, sanções aéreas, ou quebra de relações diplomáticas."Esse artigo prevê medidas que exerçam influência em um país que não está cooperando, inclusive as econômicas, mas está escrito de forma inequívoca que ele exclui qualquer tipo de medidas de influência pela força" disse o ministro, na África do Sul, onde acompanha o presidente Vladimir Putin em visita oficial, segundo a Itar-Tass. Lavrov também disse que quaisquer sanções econômicas contra o Irã "devem ser proporcionais à real ameaça que o pais representa à comunidade internacional", segundo a agência. As ressalvas sugerem que Moscou contempla a possibilidade de sanções, as quais funcionários russos têm alertado várias vezes que podem ser contraproducentes, apesar da Rússia se manter contra uma punição forte e imediata. Diversas vezes a Rússia afirmou que se opõem com veemência ao uso de força contra o Irã, onde o país constrói um reator nuclear, e também não quer perder a relação amistosa.A oposição da Rússia e da China têm feito esforços no sentido de conter a reação dos EUA e dos outros países, que querem impor sanções ao Irã em razão de seu programa nuclear. Washington diz que Teerã está tentando produzir armas nucleares; Teerã diz que seu programa nuclear em fins pacíficos, pra a geração de eletricidade. Enquanto isso, negociações com o intuito de dar uma última chance ao Irã de evitar as sanções da ONU foram adiadas nesta quarta-feira, quando um alto enviado iraniano disse que um "questão de procedimento" causou um atraso de vários dias. As Nações Unidas e os aliados-chave Inglaterra e França concordaram em esperar pelo resultado das conversas entre o enviado da União Européia e o negociador da questão nuclear do Irã, numa tentativa de se aproximar de Moscou e Pequim.

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