Sanções da ONU põem Irã no caminho da 'confrontação', diz embaixador

Diplomata iraniano acusa potências ocidentais de usarem 'dois pesos e duas medidas' em pressões

BBC Brasil, BBC

09 de junho de 2010 | 06h00

NOVA YORK - O Irã disse nesta quarta-feira, 9, que a votação de mais uma rodada de sanções contra o país no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) lhe deixa "sem outra alternativa a não ser a confrontação" com países do órgão, segundo informações de um diplomata.

 

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O embaixador iraniano na ONU, Mohammad Khazaei, acusou os EUA, o Reino Unido e a França - membros permanentes do órgão - de "falta de honestidade" ao pressionar pelas sanções e disse que a nova rodada de medidas é "um grande erro".

Segundo informações da agência oficial iraniana, Irna, o embaixador argumentou que "tais ações precipitadas desviam o caminho do diálogo de sua rota natural e indicam que o outro lado escolheu o caminho da confrontação". "Assim, Teerã não tem outra alternativa a não ser escolher uma forma apropriada de enfrentar o segundo caminho", disse o embaixador.

Sanções

As sanções que devem ser aprovadas nesta quarta-feira no Conselho de Segurança da ONU serão "as mais significativas já aplicadas" contra o Irã, nas palavras da secretária americana de Estado, Hillary Clinton.

Os EUA rejeitam a argumentação iraniana de que o país está cooperando com a comunidade internacional na questão de seu programa nuclear.

Desde a assinatura de uma proposta de acordo de troca de urânio mediado pelo Brasil e a Turquia, no dia 17 de maio, o Irã tem argumentado que o Conselho de Segurança não tem necessidade de adotar novas medidas contra o país.

Pelo acordo, o país enviaria urânio com baixo teor de enriquecimento à Turquia e receberia, dentro de um ano, urânio mais enriquecido para ser usado em um reator com finalidades científicas em Teerã.

Segundo Khazaei, o entendimento assinado com Brasil e Turquia "iria abrir um novo caminho para a interação e criar um maior espaço para a cooperação construtiva em nível internacional e regional".

Por isso, disse ele, britânicos, americanos e franceses "não estão sendo honestos" em seu diálogo com outros membros do Conselho de Segurança ao rejeitar o acordo.

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O embaixador acusou ainda os três países de adotar "dois pesos e duas medidas" ao tolerar o comportamento de Israel - país que nunca assinou o Tratado de Não-Proliferação Nuclear e é acusado de possuir armas nucleares - mas adotar uma "postura dura" contra o Irã, que alega não ter esse tipo de tecnologia.

O embaixador lembrou ainda que os EUA evitaram condenar Israel após o ataque a uma frota de barcos que levavam ativistas para a Faixa de Gaza, em uma operação que deixou nove mortos e gerou inúmeras críticas ao país entre a comunidade internacional.

 

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