Sanções dos EUA podem dar ajuda política para Chávez

As sanções impostas pelos Estados Unidos contra a estatal petrolífera da Venezuela podem beneficiar o presidente venezuelano Hugo Chávez em vez de prejudicá-lo, ao alimentar a retórica antiamericana enquanto o líder esquerdista consegue apoio para as eleições presidenciais do próximo ano.

AE, Agência Estado

30 de maio de 2011 | 18h55

Opor-se a Washington é uma estratégia corriqueira para ganhar votos em muitas partes da América Latina, e poderia fornecer um impulso para a reeleição de Chávez, que está há 12 anos no poder e se tornou o crítico mais ferrenho aos EUA na região.

"Chávez está usando (as sanções) como uma arma para consolidar sua base, colocar a oposição em uma situação desconfortável e angariar apoio para sua campanha eleitoral", afirmou Aníbal Romero, professor aposentado de ciências políticas de Caracas.

Enquanto os analistas esperam que as sanções recentes não tenham muito efeito sobre a Petróleos de Venezuela (PDVSA) , a reação do governo Chávez gerou mal-estar entre detentores da dívida venezuelana nos últimos dias. O governo Chávez tem pregado que as sanções são uma usurpação da soberania da Venezuela. O presidente da PDVSA, Rafael Ramirez, declarou a uma multidão ontem que, ao aplicar as sanções, as autoridades americanas "bateram com tudo o que tinham".

Em um comentário no Twitter, Chávez chamou de "nova agressão" pelo "governo imperialista gringo". Chávez diz que a Venezuela cresceu menos dependente dos EUA por causa do aumento dos laços com países como China e Rússia, e chegou até a insinuar uma ruptura diplomática com os EUA, mas não anunciou nenhuma medida específica.

"Acho que a reação (de Chávez) é típica, muito antiamericana e muito dura. Acho que ele late mais que morde", disse Terry Hallmark, diretor de análise de política e risco do escritório da IHS, empresa de pesquisa sobre indústria energética. "Tenho certeza de que Chávez está tentando tirar o máximo de proveito político disso". A oposição política na Venezuela também se colocou contra as sanções de Washington. As informações são da Dow Jones.

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