Sanções fazem Irã apelar para medidas de controle do câmbio

Restrição é anunciada no dia em que empresa de transporte de petróleo suspende operações em razão do embargo

TEERÃ, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2012 | 03h08

Em um reconhecimento implícito do impacto das sanções internacionais, o Irã anunciou ontem medidas restritivas para controlar o câmbio e conter a rápida desvalorização de sua moeda, o rial. Também ontem, uma das principais empresas de transporte marítimo ligadas à indústria do petróleo iraniano anunciou a suspensão de suas operações.

As notícias expõem a crescente fragilidade da economia local, enquanto potências ocidentais apertam o cerco para pressionar o país a rever os rumos de seu programa nuclear.

Em janeiro, a União Europeia anunciou um embargo completo ao petróleo iraniano - em conjunto, os países do bloco eram o segundo maior cliente de Teerã. Ao mesmo tempo, os EUA pressionaram, com sucesso, países como Índia e Coreia do Sul a reduzir as importações do Irã.

Ontem, o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, fez um raro pronunciamento sobre assuntos econômicos, pedindo aos políticos iranianos que "não se dividam" diante das pressões do Ocidente. Parlamentares conservadores vêm criticando duramente a política econômica do presidente Mahmoud Ahmadinejad. "Existem problemas, mas não se deve culpar esse ou aquele partido", disse Khamenei.

Segundo as novas medidas, os iranianos não poderão mais comprar dólares a uma cotação mantida artificialmente baixa pelas autoridades monetárias. A única exceção será feita para aqueles que quiserem comprar a moeda para fazer o hajj, a peregrinação a Meca.

Crise. Ao mesmo tempo, a Irano Hind Shipping - joint venture entre indianos e iranianos - anunciou que será dividida em duas empresas. Sabyasachi Hajara, que comanda o lado indiano da parceria, afirmou que as sanções internacionais tornaram impraticável a operação dos sete cargueiros da empresa.

Outra consequência do cerco econômico é a disparada da inflação. A queda das importações e o embargo ao sistema financeiro provam que o cotidiano da população já foi afetado pelas sanções. / AP

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