Sanções não ajudariam agora, diz governo Obama

WASHINGTON - A principal autoridade do Departamento de Estado dos EUA para as Américas, Roberta Jacobson, repetiu na quinta-feira, 29, que sanções não são o melhor instrumento para enfrentar a crise na Venezuela neste momento e defendeu a ação coordenada dos países da região, refletida no diálogo promovido pela Unasul.

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S. Paulo

29 Maio 2014 | 23h45

No dia anterior, a Câmara dos Deputados dos EUA aprovou projeto que impõe sanções a integrantes do governo e das forças de segurança da Venezuela que tenham praticado abusos na repressão a protestos que ocorrem no país desde 12 de fevereiro. O projeto vai agora ao Senado, onde o líder democrata, Harry Reid, decidirá se leva a proposta ao plenário.

"Já vimos como sanções podem ser contraproducentes", disse Jacobson a jornalistas em Washington. Ela lembrou que a aprovação de texto semelhante por uma comissão do Senado, no dia 21, deu munição ao presidente Nicolás Maduro para retratar a situação como uma tentativa dos EUA de derrubar o seu governo - o que, segundo ela, é um "contrassenso".

Jacobson observou que o projeto do Senado foi criticado no fim de semana pela União das Nações Sul-Americanas (Unasul), que emitiu comunicado de apoio à Venezuela. "As sanções podem ser usadas como uma distração do problema real, que é a necessidade de os venezuelanos falarem uns com os outros em um diálogo inclusivo que tenha resultados."

Além de prejudicar o esforço de diálogo entre governo e oposição, projetos de sanção são desnecessários, disse Jacobson. Segundo ela, o Executivo americano tem autorização para impor punições nesses casos, se considerar adequado. No Senado, tramita um texto semelhante ao aprovado nesta quinta na Câmara, mas qualquer das versões só chegará ao plenário com a concordância de Reid, que até agora não se pronunciou.

Entre os objetivos do diálogo, na avaliação de Jacobson, estão o aumento do espaço democrático na Venezuela, a ampliação do respeito aos direitos humanos e a redução da violência da repressão aos protestos. "Isso é mais efetivo quando feito em coordenação com os vizinhos."

"O diálogo promovido pela Unasul ainda não deu resultado e, em algum momento, pode haver o reconhecimento de que a tentativa fracassou", disse. "Mas, enquanto estiverem tentando, queremos apoiar, caso haja alguma chance de que as coisas avancem."

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