Sanções podem aumentar a fome na Coréia do Norte

Representantes de organizações humanitárias anunciaram sua preocupação de que a crise nuclear na Coréia do Norte e a eventual imposição de sanções possam aumentar a fome que há quase 20 anos afeta grande parte da população norte-coreana.A ONG Human Rights Watch (HRW) se disse contrária a sanções como a interrupção de ajuda alimentícia à Coréia do Norte, e lembrou que o país "depende da ajuda estrangeira para alimentar a terça parte de sua população"."Na resposta da comunidade internacional ao teste nuclear da Coréia do Norte é preciso distinguir entre o Governo norte-coreano e os cidadãos", destacou em comunicado a subdiretora do escritório asiático da HRW, Sophie Richardson."O programa de armamento nuclear norte-coreano pode ter devastadores efeitos na segurança da região, mas suspender a ajuda alimentícia pode ser letal para a população", avisou Richardson.A Coréia do Sul, um dos principais doadores, ao lado da China, já havia interrompido a sua ajuda depois de a Coréia do Norte lançar sete mísseis de longo alcance, em julho.A HRW lembrou que pelo menos 1 milhão de norte-coreanos morreram nos anos 90 devido à escassez de alimentos causada por desastres naturais como inundações e secas.Alguns observadores criticam o fato de que grande parte das doações não chega aos setores mais pobres da Coréia do Norte, e sim ao Exército. Mas o HRW argumenta que "tanto os soldados quanto os civis sentem fome".A ONG pediu à Coréia do Sul, ao Japão e aos Estados Unidos que restaurem a ajuda humanitária à Coréia do Norte, e à China que não suspenda o envio.O Programa Mundial de Alimentos (PMA), subordinado à ONU, se mostrou mais cauteloso na hora de criticar possíveis sanções pedidas por países como os EUA e o Japão. A entidade se limitou a apontar a "grave preocupação" com o futuro dos planos da agência em território norte-coreano."A situação é muito precária. Grande parte da população norte-coreana depende de nossa assistência e a crise atual pode dificultar as coisas", disse à Efe o principal porta-voz do PMA na Ásia, Paul Risley."Especialmente preocupante é a situação de mulheres, crianças e outros segmentos que não têm outros meios para se alimentar além da ajuda humanitária", acrescentou.De acordo com o PMA, que já teve problemas em anos anteriores devido às tensões nucleares, a Coréia do Norte tem este ano um déficit de 800 mil toneladas de cereais, o necessário para alimentar a sexta parte de sua população, devido às inundações que causaram centenas de mortes no país.Risley admitiu que os 10 estrangeiros que trabalham na Coréia do Norte para o PMA podem ser retirados do país.O PMA canaliza ajuda humanitária para a Coréia do Norte procedente da União Européia, Rússia e Austrália, entre outros. Calcula-se que 300 mil pessoas tenham fugido da Coréia do Norte para a China nos últimos 20 anos devido à fome.

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