Sanções têm efeito limitado

Para analistas, crise pode afetar mais Pyongyang

Reuters, PEQUIM, O Estadao de S.Paulo

15 de abril de 2009 | 00h00

O endurecimento de sanções não deve prejudicar o comércio da Coreia do Norte com sua aliada China, mas a crise global está afetando a isolada nação comunista, que ontem disse estar abandonando as conversações sobre seu programa nuclear.O Conselho de Segurança da ONU exigiu o endurecimento das sanções já existentes contra a Coreia do Norte. Mas a redução do preço das commodities pode ser mais dolorosa para o regime de Pyongyang do que as sanções, que afetarão apenas certas empresas que negociam equipamento militar."As sanções não terão grande efeito, elas não mudarão suas ações", disse Shi Yinhong, professor de relações internacionais na Universidade Renmin, em Pequim. "Elas não terão impacto no comércio com a China, que é basicamente de grãos e materiais básicos. As sanções terão alguma influência sobre bens de luxo, mas apenas um pequeno impacto sobre o volume total de comércio", acrescentou Shi.O comércio anual da Coreia do Norte com a China é de US$ 2 bilhões, 10% do PIB anual norte-coreano. Repetidamente a China pediu moderação, enquanto Pyongyang preparava o que garantiu ser o lançamento de um foguete para colocar um satélite de comunicações em órbita, mas que, segundo os EUA, Japão e Coreia do Sul, teria sido um míssil de longo alcance. No entanto, Pequim relutou em adotar uma posição mais dura, temendo perder sua influência em Pyongyang e preocupado com os riscos políticos e econômicos em caso de colapso da Coreia do Norte.O comércio entre os dois países sofreu uma redução de 3% nos primeiros dois meses do ano, depois que a queda dos preços dos metais fechou um dos poucos canais de exportação norte-coreana. A Coreia do Norte lucrou nos últimos anos com o elevado preço dos minérios, ampliando sua exportação de zinco, chumbo e ferro para a China. A Coreia do Norte teria depósitos de minérios no valor de US$ 2 trilhões, segundo estimativa da Corporação de Recursos da Coreia do Sul. Mas problemas de infraestrutura e uma rede elétrica defasada dificultam a mineração e a exportação dos minérios. ECONOMIA FRÁGILUS$ 2 bilhõesé o total do comércio anual entre Coreia do Norte e ChinaUS$ 20 bilhõesfoi o Produto Interno Bruto da Coreia do Norte no ano passado

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