Washington Post photo by Salwan Georges
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Sanders ganha força e leva democratas a temer cisão que ajudou a eleger Trump

Quatro anos atrás, Sanders era o progressista que polarizou a campanha com Hillary Clinton, que representava a ala moderada e o establishment do Partido Democrata; divisão, segundo muitos estrategistas, foi decisivo para a vitória de Trump

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2020 | 19h25

WASHINGTON - O senador Bernie Sanders venceu as primárias de New Hampshire, na madrugada desta quarta-feira, 12. Mas foi uma votação apertada. Pete Buttigieg, ex-prefeito de South Bend, chegou 1,3 ponto porcentual atrás e obteve o mesmo número de delegados. A disputa quente entre os dois campos, um progressista radical, de Sanders, e outro moderado centrista, de Buttigieg, faz os democratas temerem a mesma divisão que custou a eleição de 2016.

Quatro anos atrás, Sanders era o progressista que polarizou a campanha com Hillary Clinton, que representava a ala moderada e o establishment do Partido Democrata. A cisão, segundo muitos estrategistas, foi decisivo para a vitória inesperada de Donald Trump. Este ano, o cenário é parecido.

“Ninguém quer uma repetição de 2016, quando Sanders e Hillary se digladiaram a ponto de entregar a vitória para Trump, mas é isso que está acontecendo”, disse Terry McAuliffe, ex-presidente do Comitê Nacional Democrata. “Não podemos rolar na lama indefinidamente na esperança de sairmos limpos para o duelo com Trump. Se Bernie despontar como favorito, o partido tem que apoiá-lo.”

O estrategista democrata James Carville diz que o cenário atual é o melhor possível para Trump. “Ele deve estar no céu. E eu, morrendo de medo do que vai acontecer com o Partido Democrata durante as primárias.”

A briga pela indicação do partido chegou a ter 29 nomes. Sobraram 8. Apesar do grande número de candidatos, já se sabia que a disputa seria entre as alas progressista e moderada – a questão sempre foi saber quem seria o representante de cada uma.

Durante a maior parte do tempo, Joe Biden apareceu como favorito dos moderados. Além da experiência e de uma marca conhecida – ele foi ex-vice-presidente de Barack Obama por dois mandatos –, ele estava à frente de seus rivais do partido e liderava as pesquisas nacionais, que mostravam o confronto direto contra Trump.

Mas a candidatura de Biden não decolou. Ela foi afetada pelo escândalo do impeachment – o ex-vice de Obama era o alvo das investigações que Trump exigia do presidente da Ucrânia –, mas também sofreu com o desempenho do próprio candidato. Seus comícios atraíam meia dúzia de gatos pingados, a maioria eleitores brancos de meia idade.

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Após um quarto lugar em Iowa e um quinto em New Hampshire, ele partiu para a Carolina do Sul, onde quase dois terços dos eleitores democratas são negros. As primárias no Estado, dia 29, são  cruciais para ressuscitar a candidatura de Biden, que ainda é bastante popular entre o eleitorado negro.

Sem Biden, o maior rival de Buttigieg no campo moderado parece ser a senadora Amy Klobuchar, que teve uma performance elogiada no último debate e votações surpreendentes em Iowa e New Hampshire. O único  capaz de rivalizar com os dois – Buttigieg e Klobuchar – na busca pelo voto centrista é Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York. O bilionário, porém, anunciou a candidatura tardiamente e só entra na disputa na Carolina do Sul.

Do lado progressista, Sanders é o nome a ser batido. Nas duas primeiras prévias, ele manteve grande distância da senadora Elizabeth Warren, outra representante da ala esquerdista, que chegou a despontar como favorita, mas que também não vem se saindo bem nas urnas.

O que pode preocupar a campanha de Sanders, porém, é que a votação dos progressistas juntos – ele e Warren – ainda é menor do que o total dos votos dos moderados – Buttigieg, Klobuchar e Biden –, o que sinaliza que os centristas podem sair das prévias com mais força assim que a disputa afunilar. / NYT

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